Oposição ironiza controle de linhas de ônibus pela prefeitura

Após o conflito de informações entre o secretário municipal de Urbanismo e Transportes, José Carlos Aleluia, e o superintendente do Setps, Horário Brasil, sobre o controle das linhas de ônibus de Salvador, a oposição aproveitou para alfinetar a administração municipal. De acordo com o líder da minoria na Câmara, Gilmar Santiago (PT), a afirmação de Aleluia, que falou sobre a retomada das linhas de transporte público urbano pela prefeitura, é a constatação que o empresariado era responsável por uma área importante dos serviços públicos do município.

“A gente sempre denunciou que o Setps era a raposa tomando conta do galinheiro. Como é que as empresas fiscalizam as atividades que elas próprias exercem?”, questionou o petista. Segundo Santiago, “quando Aleluia fala que a prefeitura vai assumir o controle das linhas, ele admite que a prefeitura não tinha o controle como deveria, inclusive nesses primeiros meses da gestão de ACM Neto”. A ironia, no entanto, vem na sequência de uma visão otimista sobre o futuro do sistema de transporte público na capital baiana. “É uma boa visão do que vai mudar após a licitação”, avaliou.

O líder da oposição, todavia, não manteve o tom positivo na declaração seguinte. “Ou então essa visão faz parte de um jogo de cena. A gente não tem visto muita divergência entre a prefeitura e o Setps, inclusive sobre a licitação do sistema”, ironizou Santiago. O espaço para as críticas oposicionistas foi dado a partir da divergência entre Aleluia e Brasil. De acordo com o primeiro, a prefeitura vai reassumir o controle das linhas, enquanto o superintendente do Setps sugere que esse controle sempre coube à prefeitura. “Os empresários nunca foram proprietários de linhas, desde uma legislação ainda do tempo do prefeito Manoel Castro que as linhas são da prefeitura e os empresários as operam através de ordem de serviço”, afirmou Brasil, classificando a informação contrária de “deturpação”.

Para o líder da maioria, Joceval Rodrigues (PPS), no entanto, o assunto é avaliado como página virada. “Se o Setps diz que sempre foi da prefeitura e a prefeitura anuncia que vai fazer uma gestão mais próxima do serviço, então está tudo certo”, minimizou Rodrigues. Ele prefere evitar a polêmica e tangencia quando questionado sobre o tema. “Se o Setps diz que o controle está com a prefeitura, não há o que questionar”, sugeriu a liderança governista.

Nos corredores da Câmara, entretanto, o comentário recorrente foi que o conflito de opiniões é reflexo da divergência de interesses da prefeitura e do sindicato das empresas de ônibus. De acordo com um vereador em reservado, “a prefeitura assumir o controle das linhas de ônibus vai ser fácil, difícil vai ser ver essa situação na prática”. A licitação do sistema, que deverá ser o marco para o caso, está prevista para setembro. 

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 30 de agosto de 2013

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