João Henrique troca de partido e entra para a base de apoio a Jaques Wagner

PTN e PRB, duas apostas dos bastidores da política como destinos do ex-prefeito de Salvador, João Henrique, acabaram a ver navios. nessa quinta-feira (8/8), por meio do presidente regional do PSL, Toninho Olívio, foi confirmada a desfiliação de João do PP e consequente vinculação ao PSL, partido que compõem a base aliada do governador Jaques Wagner e também do prefeito ACM Neto na capital baiana. O processo, no entanto, será formalizado apenas no dia 31 de agosto, quando o presidente nacional da sigla, Luciano Bivar, participa do cerimonial, programado inicialmente para o Hotel Fiesta.

Os rumores de que João Henrique se filiaria ao partido começaram a circular há pouco mais de três semanas, porém, segundo Toninho do PSL, as negociações acontecem há algum tempo. “Estamos conversando há mais de três meses e, somente hoje (ontem), João Henrique autorizou a divulgar a informação. A filiação aconteceria já no dia 17, porém os compromissos do presidente nacional do partido, Luciano Bivar, também presidente do Sport Club Recife, adiaram para o dia 31”, relatou o dirigente da legenda na Bahia. Segundo ele, a negociação para receber o ex-prefeito inclui também o controle do PSL Mulher para a atual companheira de JH, Tatiana Paraíso, e do diretório municipal para o ex-secretário de Educação da era de João Henrique, Carlos Soares, que já era filiado à legenda.

“Os responsáveis pela articulação fomos eu e o ex-secretário Carlos Soares, com consentimento dos vereadores de Salvador, José Trindade e Leandro Guerrilha”, sinalizou Toninho. Para ele, o fato do PSL ser, na concepção dele, “um partido limpo” também foi um dos fatores preponderantes para a opção do ex-prefeito. “O PSL é parceiro de João Henrique desde 2004, na primeira eleição, e mesmo que ele não esteja filiado ao partido continuará com o nosso apoio”, garantiu a liderança da sigla – em resposta à indagação sobre as constantes trocas de partido feitas pelo ex-prefeito, que teve passagens pelo PDT, PMDB e PP.

“No PSL, João Henrique vai ser candidato ao que quiser. Ele quer ser deputado federal e nós queremos que ele seja candidato a governador. Se ele for candidato a deputado federal, vai eleger mais dois deputados e teve a garantia do presidente nacional que, se for eleito, vai ser o líder da bancada no Congresso”, detalhou Toninho. Segundo ele, não há nenhum impedimento para que o ex-prefeito de Salvador seja candidato em 2014. “As informações que tenho, do advogado Ademir Ismerim, a quem respeito muito, é que ele pode ser candidato”, garantiu.

PRB também estava na lista

Enquanto a filiação ao PTN há muito havia sido desconsiderada no meio político – apesar da aproximação do ex-prefeito João Henrique com integrantes da bancada da sigla na Câmara –, as negociações com o PRB ainda não tinham sido dadas como encerradas. Tanto que o presidente municipal da sigla, deputado estadual Sidelvan Nóbrega, declarou recentemente que mantinha contato com o ex-prefeito para buscar a filiação dele ao PRB. Com o anúncio da migração para o PSL, no entanto, o plano acabou descartado – e o antigo provável destino foi informado pela imprensa sobre a nova casa do antigo ocupante do Palácio Thomé de Souza.

Por meio de sua assessoria, Sidelvan optou por não se pronunciar sobre o assunto. Segundo ele, João Henrique procurou o PRB assim como conversou com outras legendas. e, diante da decisão, não cabe ao partido tecer comentários sobre a opção. Apesar da negativa do dirigente municipal do PRB, figuras ligadas ao ex-prefeito chegaram a citar como certa a filiação dele ao partido.

Procurado pela reportagem, o ex-prefeito pediu que fosse procurado o presidente estadual do PSL, Toninho Olívio, para comentar o seu processo de filiação. Utilizando serviço de mensagem de texto, João Henrique afirmou estar fora de Salvador e, por conta disso, impossibilitado de conversar com a imprensa sobre o assunto. “Na próxima semana, falaremos”, indicou JH.

Aliados do PT não comentam mudança

Instado a falar sobre a filiação do ex-prefeito de Salvador, João Henrique, a um partido da base aliada do governador Jaques Wagner, o PSL, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, optou por abster-se de quaisquer comentários sobre o tema. De acordo com o petista, por não ser um assunto diretamente relacionado à legenda que preside, ele prefere não falar. “É um assunto interno de um partido aliado, não cabe a mim comentar”, salientou Jonas Paulo, frisando que, apesar de orbitar na base aliada do governo estadual, o PSL também foi adversário do PT em algumas cidades nas eleições de 2012, como no primeiro turno da capital baiana.

Para o dirigente estadual do PT, a filiação de JH ao PSL, bem como a indicação do filho dele para um cargo na Casa Civil, não representa qualquer alteração no cenário estadual. “É um ato sem qualquer conexão política com o que estamos construindo para o processo do governador Jaques Wagner”, garantiu Jonas Paulo. A reação deve-se ao fato das declarações prévias do ex-prefeito de que teria interesse em disputar o Palácio de Ondina no próximo ano, hipótese praticamente descartada por ele, segundo o presidente do PSL na Bahia, Toninho Olívio. Surpreendido com a informação da desfiliação de João Henrique do PP – apesar de considerar o tema batido –, o deputado federal e presidente estadual do PP, Mário Negromonte, assegurou não ter sido comunicado antecipadamente da decisão do ex-prefeito. “Soube pela imprensa que ele se desfiliaria. João Henrique não tinha nenhuma ligação com o partido. Nós fizemos uma aliança com Nelson Pelegrino e ele preferiu apoiar ACM Neto, mas agora ele não parece muito bem com ACM Neto”, avaliou o progressista. Em outras oportunidades, ele já havia se recusado a falar sobre o destino de JH, que controlava o PP em Salvador até então.

Negromonte fala com conhecimento de causa. O PP foi a terceira sigla a abrigar João Henrique durante o mandato de oito anos na prefeitura de Salvador, após saídas pouco amigáveis do PDT e do PMDB. Segundo ele, num tom pouco aprazível, “não existe vínculo” do ex-prefeito com a legenda. “João Henrique vai entrar num partido aliado ao governador Jaques Wagner? Deveria para um partido que faz oposição, como o PMDB. O problema é que ninguém mais quer ele”, ironizou o parlamentar.

Outra antiga filiação do ex-prefeito, o PDT não identifica muita alteração na posição política de João Henrique. Segundo o presidente estadual da sigla, Alexandre Brust, “a troca de partido é natural”. “Em princípio, ele saiu de um partido da base para outro. É a maneira muito particular de João Henrique fazer política”, sinalizou o pedetista. Brust, assim como Negromonte, também alfinetou JH, apesar da classe. “Espero, sinceramente, que ele se dê bem no PSL e que, finalmente, encontre a sua casa”, afirmou.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 09 de agosto de 2013

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