Câmara de Salvador vai discutir reivindicações em audiência pública

Conforme previsto inicialmente por vereadores das mais diversas correntes políticas, a Câmara de Salvador agendou para a próxima quinta-feira (11), às 14h, uma audiência pública com a participação de representantes do Movimento Passe Livre Salvador (MPLS) para discutir as reivindicações das mobilizações que tomaram as ruas da capital baiana nas últimas semanas. A iniciativa partiu de um consenso entre os edis e manifestantes, que aguardavam à frente da Câmara pela aprovação da audiência pública.

A reunião marcada para as 13h acabou estendida e houve dificuldade para atingir um denominador comum, especialmente por parte dos manifestantes, que não conseguiam se entender sobre a data. De acordo com presentes ao encontro, não houve consenso sequer para escolher representantes para falar em nome do movimento na reunião com o presidente do Legislativo, Paulo Câmara (PSDB), e cerca de 30 vereadores – a sessão ordinária no plenário não aconteceu por conta de um problema elétrico no Salão Cosme de Farias. “Foi necessário que os vereadores fossem na porta da Câmara negociar com os manifestantes”, relatou um edil em reservado.

O presidente do legislativo soteropolitano, Paulo Câmara, optou por não emitir declarações sobre a reunião com o MPLS. Por meio de nota, o dirigente apenas indicou que a Câmara vai convidar representantes da sociedade civil organizada e instituições envolvidas com a política de transporte e demais serviços públicos na capital para a audiência pública da próxima semana. “Vou me limitar ao posicionamento institucional como presidente”, afirmou Câmara.

Para o líder da minoria, Gilmar Santiago (PT), “a Câmara está fazendo o seu papel em discutir as reivindicações que vêm das ruas”. “Os líderes do governo e da oposição fizeram uma proposta de uma data e o movimento fez uma contraproposta, que acabou aceita. Uma das solicitações foi de que 50% da mesa da audiência pública seja constituída por indicados por eles, que vão se reunir para escolher os representantes”, observa o oposicionista. Segundo ele, no entanto, ainda não é possível prever o andamento das discussões. “A audiência vai apresentar os desmembramentos”, sinalizou Santiago. E, para não perder o costume, provocou o prefeito ACM Neto (DEM). “Eu acho que o prefeito deveria dar uma bela sinalização de boa vontade e participar da audiência”, alfinetou o petista.

 

Vereadores apóiam iniciativa do debate

 

Representando a Câmara em um encontro do Movimento Passe Livre Salvador no último sábado, juntamente com Gilmar Santiago (PT), Léo Prates (DEM) considerou positivo o agendamento de uma audiência pública para falar sobre as reivindicações. “Essa é uma oportunidade boa para reflexão. Na audiência, vamos verificar o que é viável e o que é inviável. Acatamos a sugestão deles para que a audiência aconteça no dia 11 e vamos ouvir as reivindicações do movimento”, avaliou o vice-líder do governo.

Outro a fazer considerações sobre o encontro foi o presidente da Comissão de Transportes, Euvaldo Jorge (PP). “As manifestações populares que hoje tomam conta do país foram iniciadas pela insatisfação com um transporte público ineficiente, precário e caro”, admite. Ele, no entanto, verifique que “a pauta foi expandida posteriormente, demonstrando a insatisfação da sociedade frente ao modelo de serviços”. “Cabe agora ao Poder Público implementar políticas públicas que não só melhorem a qualidade de vida das pessoas, e a Câmara quer contribuir com os debates”, completa.

Integrante da ala da oposição, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) considera que o legislativo cumpre seu papel ao “puxar para si o debate sobre mobilidade urbana, que é a principal bandeira, mas também sobre educação, saúde e outros temas”. Segundo a comunista, a Câmara pode dar diversas contribuições, como por meio da votação de projetos. “Não temos como melhorar o transporte público, isso depende mais do Executivo, mas podemos votar projetos sobre mobilidade urbana – são entre 70 e 80 projetos aguardando por votação – e indicar soluções para os problemas’, sugere.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 04 de julho de 2013

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