Violência: mais que um número, um nome

847. Um número absoluto. E sem descrições. Esse é o número de homicídios registrados na Região Metropolitana de Salvador desde o dia 1º de janeiro de 2013. Não é exagerado. É uma triste realidade. Pelo menos 847 pessoas tiveram suas vidas ceifadas por falta de competência do Estado (enquanto instituição social, não necessariamente o estado da Bahia). Um sem número dessas vítimas não tiveram seus nomes revelados nas páginas dos jornais. Sequer tiveram direito a ter suas mortes esclarecidas. E é essa a sensação que acomete qualquer cidadão, seja na capital baiana ou nas cidades de interior. Ainda não há como quantificar quantas mortes acontecem diariamente em todo a Bahia. E, nessa dificuldade em quantificar, não é possível qualificar quem são e como partem esses soteropolitanos, baianos e brasileiros.

Típica cidade interiorana, sem qualquer perspectiva de desenvolvimento e oportunidade para seus jovens, Valença, a 277 km de Salvador, foi surpreendida negativamente pela morte de um de seus moradores. Sim, mais um número para as estatísticas não consolidadas de homicídios em terras baianas. E, para que ele não se torne apenas mais um nessa guerra civil não declarada, lá vai seu nome: Ricardo Queiroz. Funcionário do Banco do Brasil, pai de família exemplar e realizador de grandes feitos sociais, a partir do núcleo espírita a que pertencia.

Essa é uma verdade incômoda para um jornalismo que se cala. Ricardinho, como era conhecido, até foi qualificado (veja aqui um exemplo). Mais, logo mais, será apenas mais um número. Mais uma morte. Foi isso que, por mais que haja discordâncias e idiossincrasias esdrúxulas no parecer do conselheiro Pedro Lino pela reprovação das contas de 2012 do governo do estado, mostrou que o buraco do Estado (município, estado e federação) é muito mais embaixo.

Há investimentos? Sim. Há um esforço estatal para que a violência cesse? Sim. Mas é suficiente? Não. Onde está uma política pública desenvolvida única e exclusivamente para reduzir os índices alarmantes da violência? Não adianta levantar questões. Existem tantas outras que podem ser elencadas pelos leitores nos comentários. Porém, como responder a todas essas perguntas é um desafio para qualquer cidadão, desde o analfabeto que teve seu filho vitimado pelo problema social chamado crack até a presidente da República.

Ricardo Queiroz é apenas um nome. Para Valença, deveria se tornar um símbolo de que é hora de tomar as rédeas da sociedade. E dizer ao mundo: “Basta! Se o Brasil é o país do futuro, que futuro é esse que estamos a construir?”. E para o restante do mundo, mais do que meramente um número.

Reflitamos!

PS: Esse é um texto mais passional do que racional. É um pouco do que posso fazer para tentar reduzir o choque com que a notícia chegou aos meus olhos.

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