Nilo imputa sepultamento de CPI à articulação de Rosemberg Pinto

Apontado como principal responsável pelo arquivamento do projeto de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o futebol baiano, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputado Marcelo Nilo (PDT), admitiu, nesta quarta-feira (22) em entrevista ao programa Acorda Pra Vida, da rádio Tudo FM 102,5, que a articulação para a retirada das assinaturas da proposição do deputado Uziel Bueno (PTN) partiu do líder do PT no legislativo baiano, Rosemberg Pinto. De acordo com Nilo, os deputados que assinaram o pedido de criação da CPI foram conduzidos por Bueno, “muito habilidoso e carismático” e reconsideraram a decisão ao serem informados que a proposta era inconstitucional.

O presidente da Alba naturalizou o recuo de seis deputados, que retiraram as assinaturas do requerimento após a leitura do parecer jurídico da Casa, que julgou inconstitucional o pedido de Bueno. “Esses seis deputados são pessoas íntegras, são deputados sérios, todos os seis deputados são homens dignos, de palavra”, garantiu. O argumento da inconstitucionalidade se refere a ausência do mínimo de 21 assinaturas necessárias para a implantação da CPI, situação aventada, entretanto, após a emissão do próprio parecer. “Chegou a informação que a OAB tinha recomendado, sob qualquer aspecto, a instalação da CPI. A OAB recomendou desde que fosse constitucional”, buscou justificar Nilo.

Pré-candidato ao governo do estado, Nilo evitou o desgaste de sepultar a CPI do futebol e tentou ainda impedir que a situação fosse vinculada ao governo estadual.  “A CPI tinha como objetivo em tese o Bahia, mas na realidade eles queriam apurar o governo e o governador Jaques Wagner, em nenhum momento, solicitou a qualquer deputado que retirasse sua assinatura, nem o líder do governo, Zé Neto. Foi uma articulação do deputado Rosemberg Pinto, politicamente correta”, avaliou o presidente do legislativo estadual.

Dedo-duro

Adolfo Menezes, Maria Luiza e Ivana Bastos (todos do PSD); Deraldo Damasceno (PSL), Jurandy Oliveira (PRP), Pastor Sargento Isidório (PSB) e Sidelvan Nóbrega (PRB) foram apresentados por Uziel Bueno como responsáveis pela queda da CPI do Futebol após retirarem as assinaturas do requerimento. Para Nilo, esse episódio foi inédito nos “23 anos de parlamento” dele. “Eu nunca vi deputado ir para a tribuna para dedurar, para dizer os nomes que retiraram. Foi a primeira vez, um fato realmente triste. Eu tenho direito a assinar e eu tenho direito a retirar. Eu nunca retirei a minha assinatura na vida, mas é um direito de cada cidadão retirar se achar que está fazendo uma coisa equivocada”, afirmou o pedetista.

A crítica a Bueno, entretanto, não se limitou à publicidade dada aos deputados que retiraram a assinatura. “Na hora de assinar, o deputado era o mais sério do mundo. Na hora que o deputado, politicamente, achou mais conveniente para os seus interesses políticos, para os interesses da Bahia, para a constituição e para o regimento interno da Casa, retira a assinatura, a partir daquele momento a pessoa realmente não é íntegro”,  indicou Nilo, insinuando a mudança do discurso do colega de parlamento como um dos motivos para a tristeza dos deputados. “No parlamento isso é normal. Eu assino e o líder do governo vem e pede para retirar porque aquilo ali é inconstitucional ou qualquer outro motivo”, insistiu o presidente da Alba – assegurando que é natural a situação vivenciada pela Assembleia com o sepultamento da CPI do Futebol.

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