“Sou do PT, mas meu governo não é refém do PT”, diz Wagner

Equilibrado como parte do seu padrão político, o governador Jaques Wagner defendeu, em entrevista à revista Veja, posturas caras ao governo do estado e que contradizem segmentos do Partido dos Trabalhadores (PT), que o elegeu em dois mandatos para o Palácio de Ondina. Diferente dos discursos inflamados por partes do PT, Wagner explicou que a formação de Parcerias Público Privadas (PPP) é uma boa alternativa para levar à frente projetos de governo. “No meu governo, não há preconceito, o que me norteia é o objetivo. Eu preciso de um hospital, não tenho dinheiro e a minha gestão não é a mais excelente, então eu faço uma PPP. Nem sou do estado zero nem sou do estado máximo. Acho que o estado deve ter o tamanho necessário para resolver os problemas da população. Eu sou um governador do PT, mas meu governo não é refém do PT”, afirmou o governador.

Em meio as comemorações de 10 anos de governo petista no Brasil, Wagner destoa de companheiros do partido ao avaliar positivamente os governos que antecederam a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. “Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso deram uma tremenda contribuição (…). Não dá pra falar que tudo começou com o PT, é uma burrice não reconhecer o que os outros fizeram. O alicerce foi feito pelo FHC, muitos tijolos foram colocados pelo Lula e outros estão sendo assentados pela Dilma”, avaliou na entrevista à publicação semanal. Para ele, o desafio da atual mandatária da República é se consolidar com o aumento da competitividade do Brasil no cenário econômico mundial. “Se o FHC fez o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Lula investiu no social, a presidente Dilma agora tem de deixar o país mais competitivo”, completou o chefe do Executivo baiano.

Sobre os rumos entre os dois principais adversários políticos no plano nacional, PT e PSDB, Wagner lamentou que as siglas não tenham caminhado juntas a partir de 1994. “Foi um azar histórico não ter dado liga entre os dois (Lula e FHC). As duas novidades pós-democracia são o PT e o PSDB, dois partidos complementares que, juntos, poderia ter feito o Brasil avançar muito. Agora ficou tarde”, sugeriu.

A postura vem no contexto para sacramentar, na visão do governador baiano, os três candidatos que já possuem nomes cravados nas cédulas em 2014, Dilma Rousseff, Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva. “Com a Rede ou sem a Rede, Marina será candidata, é difícil para alguém que teve a votação dela não tentar de novo”, indiciou. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), entretanto, ainda não consta na lista de presidenciáveis elencada por Wagner. “Defendi com muita franqueza a ideia de que é melhor que ele espere 2018, que o caminho natural dele é ser o candidato do nosso grupo em 2014. É possível fazer alternância de poder por dentro do projeto ou por fora. Eduardo pode ser essa alternativa por dentro em 2018. É melhor entregar para um aliado do que perder para um adversário ou um ex-aliado. É disso que eu tento convencer o PT, mas não está fácil”, apontou. E mostrou empenho para construir a aliança. “Ele se apaixonou pela ideia de ser candidato. Não é irreversível, mas o caminho para o recuo está encurtando cada vez mais. As pontes estão sendo arrebentadas de lado a lado”, concluiu Wagner.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 13 de maio de 2013

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