Marina Silva classifica restrições à formação de partidos como golpe a democracia

Percorrendo o Brasil em busca das 550 mil assinaturas para registrar a Rede Sustentabilidade como mais uma agremiação política nacional, a ex-candidata a presidência da República, Marina Silva, esteve nessa quinta-feira (9/5) em Salvador participando de uma visita ao projeto Axé e de um debate entre militantes do futuro partido. Ao analisar o projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que dificulta a criação de novas siglas políticas, Marina manteve a voz serena ao classificar a matéria como “um golpe à democracia”. “Essa lei é altamente oportunista. São dois pesos e duas medidas, dentro de uma mesma legislatura. Temos que combater o casuísmo e defender a isonomia entre os movimentos”, avaliou a ex-petista que, no primeiro turno de 2010, recebeu 20 milhões de votos para presidente pelo Partido Verde e surpreendeu analistas políticos.

Segundo Marina, cerca de 300 mil assinaturas já foram captadas em menos de três meses. “No dia 16 de fevereiro, quando decidimos criar a Rede Sustentabilidade não esperávamos essa adesão rápida. A média que os outros partidos criados recentemente demoraram para obter as 300 mil assinaturas foi de oito meses e nós conseguimos em menos de três”, comemorou a também ex-senadora pelo Acre. “A cota mínima da Bahia já foi alcançada, nosso esforço agora é pela cota nacional, de 550 mil assinaturas. Mas, como a gente tem uma perda de 25% a 30%, nós queremos recolher 700 mil assinaturas”, completou.

Marina, entretanto, não se apresenta como pré-candidata a presidência em 2014 e criticou a antecipação da campanha eleitoral. “Essa antecipação das eleições é muito ruim para a democracia. Esse intervalo eleitoral é para que a gente possa aprofundar as ideias, fazer o alinhamento com bases programáticas e essa antecipação parece ser proposital, porque as pessoas querem ficar no ruído eleitoral para não ter que ficar discutindo os problemas”, aponta a coordenadora nacional do Rede Sustentabilidade. Para ela, a estratégia é evitar que questões polêmicas permeiem os espaços de debate público. “A gente está vivendo uma situação difícil em relação a volta da inflação, temos sérios problemas com questões relacionadas a educação, temos um desafio enorme em apostar um novo modelo de desenvolvimento”, citou.

Ao adotar o formato de coletivo, Marina negou que a proposta seja uma reação às críticas de adversários que o objetivo simplista do Rede Sustentabilidade seria ter uma legenda sob seu controle. “A ideia de rede é uma tradução do que nós somos. Essa concepção nasceu ainda em 2010 e amadurecemos para chegar até aqui”, pontuou. A ex-senadora falou ainda sobre eventuais candidaturas em 2014, naturalizando a participação de nomes como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidente Dilma Rousseff (PT) e José Serra e Aécio Neves, ambos do PSDB. “A democracia é assim. Numa eleição de dois turnos, no primeiro é o momento para o debate de ideias”, analisou Marina.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 10 de maio de 2013

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