Oposição desiste de renúncia em bloco da mesa diretora

Conforme já circulava nos bastidores, a promessa de confusão feita pela oposição sobre o descumprimento do acordo que lhe garantia o controle da Comissão de Transportes, Trânsito e Serviços Públicos da Câmara de Vereadores não resistiu por muito tempo. Nessa segunda-feira (25/2), sem grandes explicações, a minoria recuou e decidiu permanecer na mesa diretora – a opção era uma renúncia coletiva. Em contrapartida, será criada uma comissão especial do Carnaval, que ficará sob a área de influência dos oposicionistas.

“Nós temos temas mais fundamentais para a cidade  que precisam ser discutidos. Não iríamos insistir num debate como o que acontecia na semana passada, com uma crise para a Câmara. Há problemas como os dos trabalhadores do PSF, que ocupam as galerias”, desconversou Gilmar Santiago (PT), líder da oposição, quando questionado sobre as razões para o recuo, referindo-se a manifestantes que ocupavam a parte do Plenário Cosme de Farias destinada à população. “A mesa diretora vai ficar no débito e [Henrique] Carballal vai assumir a comissão do Carnaval”, adiantou a liderança da minoria. Segundo ele, porém, a situação vivida no Legislativo abre precedentes para futuros desentendimentos. “Há agora uma relação de desconfiança com o presidente da Casa e o líder do governo”, apontou Santiago.

De acordo com o presidente Paulo Câmara (PSDB), o entendimento entre governo e oposição partiu das lideranças, ele apenas acompanhou o processo. “Eu quero o bem da Casa. Se os líderes do governo e da oposição chegaram a um entendimento, o acordo está feito”, afirmou o tucano. Mesmo que a paz esteja selada, conforme indicação do próprio dirigente, existem pontos de divergência para a oposição. “Nosso pleito era para que, se o nosso pleito não fosse atendido [Carballal na Comissão de Transportes], houvesse uma reconfiguração das comissões, a exemplo da Comissão de Constituição e Justiça, que possui apenas um representante da oposição, o vereador Waldir Pires (PT)”, reclamou o líder da oposição.

Para o líder do governo, Joceval Rodrigues (PPS), a razão para o desacordo com a oposição também deixou alguns vereadores governistas descontentes com o resultado final das comissões. Segundo ele, a defasagem entre o número de membros dos colegiados e o crescimento das cadeiras de vereadores impede o atendimento a todos os interessados em participar das comissões.

“É complicado atender com todos os espaços os vereadores interessados, então tivemos que criar a comissão do Carnaval, por exemplo. Agora, essa comissão nasceu de uma negociação, pois tem vereadores do governo que também querem fazer parte dela. E ainda estamos discutindo a criação de outras, como uma para analisar os direitos das pessoas com deficiências”, exemplificou o líder da maioria. “Não foi só a oposição que ficou insatisfeita. Alguns vereadores da base também querem espaço”, admite Joceval.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 26 de fevereiro de 2013. Reprodução autorizada desde que citada a origem da matéria.

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