ACM Neto rechaça política do ‘toma lá, dá cá’

Respeitando a independência entre os poderes – como fez questão de frisar -, o prefeito ACM Neto (DEM) irrompeu o silêncio ontem e, indiretamente, criticou o relacionamento entre a Câmara e o Palácio Thomé de Souza no passado. O democrata evitou comentar a polêmica envolvendo a Comissão de Transportes – “disputa interna”, segundo ele -, mas enviou um recado para eventuais tentativas de negociação com vereadores em troca de votos em projetos encaminhados pelo Executivo. “Eu não vou partir para nenhum tipo de política do “toma lá, dá cá”. Eu não vou fazer concessões indevidas. Eu não vou negociar, nem com partidos, nem com individualmente com parlamentares a votação de qualquer matéria, a não ser negociando o mérito na discussão dos temas”, avisou Neto.

A reação do prefeito, quando questionado sobre o assunto em entrevista na rádio Sociedade AM, corrobora com informações nos bastidores de que alguns vereadores tentam pressionar a prefeitura para manter regalias conquistadas durante a passagem de João Henrique pelo Executivo. “Se a gente perceber que há qualquer tipo movimento na Câmara de Vereadores para impedir as coisas que são importantes para a cidade, eu vou agir com absoluta transparência e vou chamar a sociedade, vou procurar os holofotes para mostrar a sociedade que é preciso pressionar e cobrar do poder legislativo um trabalho que possa debater as matérias e que possa votar os temas importantes para Salvador”, defendeu o prefeito.

Mesmo sem falar claramente e evidenciar que prefere não opinar sobre questões internas da Câmara, Neto reavivou a ideia de que pretende agir com transparência nas relações com a Casa – em mais de uma oportunidade, o prefeito ressaltou que sua formação política nasceu no legislativo. “A prefeitura vai encaminhar um conjunto de projetos ao longo desse ano, que são projetos importantes para Salvador, que são projetos que vão transformar o futuro da nossa cidade e eu espero que a gente possa ter, com a Câmara, uma relação harmônica, pacífica e de alto nível. A prefeitura não vai compartilhar e nem promover, nem participar de nenhum tipo de acordo que não seja o melhor para a cidade e não tenha a mais absoluta transparência da fiscalização do cidadão”, apontou durante a entrevista.

Enquanto o clima na Câmara de Vereadores permanece de tensão, o prefeito minimizou a situação e reforçou seu desejo de que a situação não atrapalhe os andamentos das discussões sobre a cidade. “Apenas faço votos para que a Câmara possa ter a sua normalidade interna estabelecida para que o clima seja sempre de votação. Vejo que é muito ruim começar um ano legislativo com brigas, com disputas e com um clima que não é a expectativa da cidade, que é no sentido de votar, de deliberar matérias importantes para Salvador e para o seu futuro”, analisou ACM Neto. O recado, apesar de implícito, mostra que o Palácio Thomé de Souza também está pouco confortável com os primeiros embates na casa vizinha.

As críticas travestidas de votos foram direcionadas não apenas aos rumores que circulam internamente na Câmara de Vereadores. Não houve citação direta, mas a simples suposição de que interesses privados poderiam interferir na relação entre Executivo e Legislativo ou mesmo no exercício dos poderes foi totalmente recriminada pelo prefeito. “Nós vamos pautar a nossa administração exclusivamente pelo interesse público. Nenhum interesse de corporação, de empresário, de quem quer que seja vai falar mais alto do que o interesse da cidade. Quando eu assumi a administração do município, era uma situação assim: podia tudo, valia tudo, qualquer um fazia qualquer coisa. E a gente começou a estabelecer regras”, assegurou o prefeito.

Situação da cidade “é realmente inacreditável”

Adotando a política da boa vizinhança, algo que se repete com frequência desde que assumiu a prefeitura, ACM Neto (DEM) evita falar sobre seu antecessor, João Henrique. Para ele, “a população sabe fazer o seu julgamento”. Porém, não param de aparecer heranças negativas da administração de JH. “Eu recebi uma dívida total de  R$ 556 milhões referentes ao exercício anterior, que se somam a R$ 2,3 bilhões de dívida consolidada. Então, hoje, a dívida de Salvador beira os R$ 3 bilhões, sendo que, dívida de curto prazo, foram R$ 556 milhões”, lamentou o novo ocupante do Palácio Thomé de Souza. O assunto surgiu a partir de questionamentos sobre a cidade e, nas palavras do próprio prefeito, a situação “é uma coisa realmente inacreditável”.

“Há quatro anos, não havia manutenção nos postos de saúde de Salvador. A rede física fica completamente degradada, comprometida”, exemplificou o prefeito ao comentar a questão da saúde na capital baiana. “A rede privada corresponde a cerca de 8% do atendimento. Eles reclamam o pagamento de novembro e dezembro. Nós dissemos que estaríamos fazendo esse programa de pagamento e aquilo que fosse devido, depois de auditado, seria pago. Então resolveram parar. Porém pararam sem prejuízo de atendimento à população. Esses 8% de pessoas com a rede filantrópica, muitos hospitais filantrópicos fazem trabalhos importantes em Salvador e estão recebendo parte dessas pessoas e a outra parte vai ser absorvida pela rede municipal de saúde”, explicou. Neto, porém, citou o Hospital São Rafael como uma das instituições filantrópicas que estão sem receber repasses, desde agosto nesse caso específico, e continuam o atendimento.

Outra dificuldade enfrentada pelo prefeito refere-se a condição das estações de ônibus, muito criticadas pela população. “As estações estão num estado absolutamente degradado. E a situação de segurança é uma coisa horrorosa. A ideia da prefeitura, para a Estação da Lapa e para a Estação Pirajá, é fazer uma concessão para a iniciativa privada explorar essas duas estações e, em contrapartida, fazer todo o investimento de recuperação delas. Já tem um projeto para a Estação da Lapa pronto e nós estamos fazendo projeto para a Estação Pirajá”, prometeu o prefeito. As demais estações podem ser transferidas para o governo do estado, a partir das negociações do metrô. “O governo está pleiteando a transferência de algumas estações de ônibus. A de Pirajá e da Lapa, inicialmente, a prefeitura pretende manter e as outras seriam transferidas para a responsabilidade do governo do estado”, antecipou ACM Neto.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 22 de fevereiro de 2013. Reprodução autorizada desde que citada a origem da matéria.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: