Impasse na Câmara de Vereadores permanece e o clima é de tensão

Falta uma definição clara sobre os rumos da oposição na Câmara de Salvador após a escolha de Euvaldo Jorge (PP) para a presidência da Comissão de Transporte, Trânsito e Serviços Municipais. O cenário, que por enquanto tende a uma renúncia coletiva dos três postos ocupados pelos oposicionistas na mesa diretora, pode ter uma reviravolta a qualquer momento, apesar dos vereadores envolvidos bradarem que a quebra de acordo pelo presidente do Legislativo municipal, Paulo Câmara (PSDB), torna a situação política da Casa pouco confortável para a realização de novos acordos.

Na sessão dessa quarta-feira (20/2), apesar da expectativa da análise de projetos ser iniciada, o líder da oposição, Gilmar Santiago (PT), negou qualquer tentativa de apreciar matérias. “Não tem acordo para votar nada”, assegurou o petista. À noite, a minoria determinaria diretrizes que poderiam compensar a não eleição de Henrique Carballal (PT), como pleiteavam, na Comissão. “Moralmente não há condições de manter essa situação do não cumprimento de acordos”, bradou Carballal, com tom exaltado em que insinuava que uma das únicas alternativas para solucionar o imbróglio seria a renúncia de Câmara da presidência.

Apesar de provocado, Paulo Câmara manteve a serenidade. “Eu não tenho como obrigar um vereador a não se candidatar à presidência de uma Comissão. Eu fiz um acordo com esse indicativo, mas não tenho como controlar os vereadores”, apontou o dirigente. “A hipótese de renúncia não existe. É uma decisão unilateral que não vou tomar”, assegurou o tucano.

Contra Paulo Câmara, pesam ainda as declarações do 1º vice-presidente, Carlos Muniz (PTN), e da 3ª secretária, Cátia Rodrigues (PMN), que anunciaram acompanhar a oposição caso haja a renúncia coletiva. “Vou assinar antes e depois a oposição vai fazer a reunião para decidir o que fazer. Eu já vou deixar a renúncia assinada”, garantiu Muniz, que, em seguida, registrou seu nome em um documento elaborado pela equipe de Carballal. “A gente não vai ficar numa mesa em que o presidente não cumpre acordos. Estamos conversando ainda, mas eu renunciarei se a oposição assim fizer”, frisou Cátia Rodrigues.

Além das renúncias, a Câmara pode enfrentar ainda problemas com um requerimento dos líderes do PDT e do PSL, Odiosvaldo Vigas e Trindade. Segundo eles, não foi respeitada a proporcionalidade dos partidos na configuração das comissões, apenas as composições das bancadas. Odiosvaldo, inclusive, ameaça requerer a intervenção do Ministério Público para o cumprimento do regimento interno. Para o líder do governo na Casa, Joceval Rodrigues (PPS), incluído por vereadores no centro das polêmicas, essa situação não afeta o andamento dos trabalhos. “Vamos continuar trabalhando”, prometeu o governista.

*Publicado originalmente na Tribuna da Bahia de 21 de fevereiro de 2013. Reprodução autorizada desde que citada a origem da matéria.

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