Líder terá dificuldade para manter base unida na Câmara

A primeira derrota do governo na Câmara de Salvador, na última segunda-feira, não teria sido uma derrota. Essa foi a conversa nos bastidores ontem, durante a sessão ordinária, quando vereadores da base reclamavam que o número de votantes favoráveis a formação de uma comissão suprapartidária para ir ao Palácio Thomé de Souza cobrar explicações sobre o atraso no pagamento de terceirizados da ONG Pierre Bourdieu conquistou a maioria. Preferindo não se identificar, vereadores apontavam que um erro da contagem resultou numa derrota inexistente. No dia do incidente, o líder do governo, Joceval Rodrigues (PPS), minimizou o ocorrido. “Não houve derrota. O que aconteceu foi um posicionamento dos vereadores. Não houve derrota porque o Executivo não mandou nenhum projeto. Eu acho salutar que os vereadores opinem sobre os assuntos da Casa”, defendeu Joceval. Ainda assim, alguns vereadores foram convidados para audiências com o prefeito ACM Neto (DEM), cuja pauta não foi antecipada.

O burburinho era de que o prefeito quer aproveitar o início dos trabalhos do legislativo para acabar com quaisquer arestas existentes entre os vereadores e a bancada governista na Câmara. Entre os menos satisfeitos, o 1º vice-presidente, Carlos Muniz (PTN), chegou a afirmar que adotará uma postura de independência com relação aos projetos encaminhados pelo Executivo. “Eu posso votar contra o governo. Ontem, eu cobrei de João Carlos Bacelar [secretário municipal de Educação] o pagamento atrasados dos terceirizados”, bradou Muniz, que não evita criticar o titular da Educação e presidente licenciado do próprio partido, o PTN.

E as relações dele com o governo municipal também estão azedas em outra frente, de acordo com o vereador. Para ele, “os interesses da população são mais importantes do que a opinião do secretário da Fazenda”. Em conversa com a reportagem, o secretário Mauro Ricardo Costa foi alvo de reiteradas considerações de Muniz – também o vereador mais votado da atual legislatura. Segundo o campeão de votos, o secretário está afastado das reais necessidades do povo, razão pela qual dispara contra o governo.

Por enquanto, a única insurgência mais clara é do 1º vice-presidente da Câmara, porém circulam informações de que outros vereadores, que se aproximaram da administração municipal, podem optar pela independência, com tendência a votar com a oposição. Por isso, ACM Neto teria começado a convidar os vereadores para conversas em separado.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 06 de fevereiro de 2013. Reprodução autorizada desde que citada a origem da matéria.

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