12/12/12, o dia que não acabou em Salvador

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Depois de muito protelar, o governo finalmente usou sua força na Câmara de Vereadores de Salvador para colocar em votação os diversos projetos de interesse do Executivo na sessão desta quarta (12). O roteiro seguiu à risca a previsão de João Henrique, durante todo o dia 12 de dezembro de 2012. Mesmo com as seguidas obstruções, fruto de uma oposição pequena que se agigantou, foram votadas e aprovadas em sequência a reforma administrativa, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da Copa, a Lei do Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (Louos) e a ampliação da concessão do uso do Aeroclube até 2056 – este dois últimos depois de nove horas de sessão. Mas, o dia mudou. E o roteiro da tragédia anunciada foi modificado, surpreendendo os soteropolitanos mais otimistas: as contas de 2009 de João Henrique foram para votação. Votadas e rejeitadas por 15 vereadores, número que deixou JH inelegível pelos próximos oitos anos.

Transformado em auditório, o plenário Cosme de Farias foi palco não apenas dos vereadores. Separados pela mesa de controle de som e vídeo, populares mudavam de comemorações para vaias a cada vereador que solicitava a palavra. Os gritos iam de “Olha o mensalão” para as falas de petistas, e “Sem caráter” para os demais – especialmente o líder do governo, Téo Senna (PTC). Apesar da tentativa da oposição de mobilizar a população para pressionar a votação das contas, defensores do governo eram maioria. A “claque”, paga com recursos de não se sabe onde, fez barulho desde o início da sessão, às 15h. Parecia o prenúncio do terror que seria aquele dia para Salvador.

Rolo compressor
O exercício de construir maioria absoluta nos legislativos faz mal à democracia. Sem o duelo entre governo e oposição, o interesse privado se sobrepõe ao público. E, mesmo que tenha havido certa redenção com a rejeição das contas de João Henrique, poucos vereadores fizeram seu papel enquanto fiscalizadores do Executivo. Para alguns poucos vereadores, foi constrangedor ver os próprios pares votando em projetos sem sequer conhecer o conteúdo dos mesmos – o PDDU da Copa recebeu sete emendas que chegaram aos edis após a aprovação do rolo compressor.

“As cópias da emendas vão chegar depois que nós votarmos. É isso que me deixa triste aqui nessa Câmara”, lamentou Marta Rodrigues (PT). Junto a Aladilce Souza e Olívia Santana (PCdoB), Vânia Galvão e Gilmar Santiago (PT), Andrea Mendonça (PV) e Heber Santana (PSC), Marta foi uma das vozes a reclamar do descumprimento de um princípio básico da democracia, a discussão. (Heber desembarcou no grupo no decorrer da votação, depois de aprovada a reforma administrativa). E, da suposta oposição, parte dos vereadores foram mais governo do que nunca.

Alcindo Anunciação (PT) deixou de trancar as pautas. Passou a acelerá-las e impediu que outros vereadores fizessem o papel que ele pateticamente desempenhou em votações passadas – em momentos inoportunos, diga-se. Henrique Carballal (PT) finalmente deixou de lado a postura fake de opositor e defendeu o PDDU da Copa. Sem muita cerimônia, segundo relatos. Essas e outras situações resultaram no rascunho de que JH ganharia todas as apostas do dia. O dia que não acabou.

Redenção
Para a Câmara de Salvador, a sessão do dia 12 de dezembro de 2012 não vai ficar totalmente marcada pelas atrocidades das votações de projetos do Executivo. João Henrique tinha certeza de que suas contas seriam aprovadas – fala-se em 300 mil motivos para cada vereador. Porém, passando das 01h30 da madrugada, 15 vereadores votaram pela rejeição das contas – três a mais do que a previsão otimista da imprensa. No popular, três roeram a corda.

Como diria Jorge Jambeiro (PP), “o voto secreto é secreto porque é secreto”. Esses 15 podem tentar capitalizar eleitoralmente esse posicionamento, enquanto os 25 a favor de JH poderiam conviver com a pecha de que as irregularidades na prefeitura eram parte do jogo político. E foram esses mesmos 25 que derrubaram a quorum da sessão e impediram que as contas de 2010 fossem votadas. Ficaram para a próxima segunda-feira (17).

Apesar do resultado lavar a alma dos soteropolitanos, esses votos serão tão obscuros quanto a forma com que os projetos do PDDU, da Louos e do Aeroclube foram aprovados. No fim, a redenção foi menor do que poderia. Foi pior do que a Câmara merecia. Pelo menos a instituição. Pois essa legislatura é um episódio para ser apagado na história. Assim como os oitos anos de João Henrique no Palácio Thomé de Souza.

E, como o bolão de apostas está aberto, seguem as minhas para os vereadores que votaram pela rejeição das contas:
Aladilce Souza e Olívia Santana (PCdoB), Alcindo Anunciação, Gilmar Santiago, Henrique Carballal, Marta Rodrigues, Moisés Rocha, Vânia Galvão e Dr. Giovanni (PT), Andrea Mendonça (PV), Sandoval Guimarães (PMDB), Paulo Câmara (PSDB), Paulo Magalhães Jr. e Heber Santana (PSC). Questiono se Odiosvaldo Vigas (PDT) teria essa coragem, mas, se não foi ele, quem foi o 15º?

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