Campanha de ACM Neto é a segunda do país em doações sem identificação

Com 89% das receitas de campanha oriundas de doações ocultas, o prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM), ficou em segundo lugar no total de doações indiretas entre os candidatos das 26 capitais brasileiras, de acordo com ranking elaborado pelo blog Congresso em Foco. O democrata arrecadou R$ 19,5 milhões por meio dos diretórios nacional e estadual do partido, o que evita que os doadores sejam claramente identificados na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral.

A prática de doações indiretas é comumente utilizada em campanhas eleitorais de grande porte, tanto que os valores são proporcionais ao total investido para conquistar o voto do eleitoral. Em números absolutos, o prefeito eleito de Salvador ficou atrás apenas do petista Fernando Haddad, em São Paulo, que captou R$ 38 milhões – quase que o dobro do baiano – dos R$ 42 milhões por meio dessa brecha na legislação eleitoral.

Em ambos os casos, as respectivas disputas eram consideradas nacionais pelos partidos envolvidos, PT e PSDB, em São Paulo, e PT e DEM, na capital baiana. O mecanismo é uma alternativa para que empresas ou pessoas físicas doadoras não sejam associadas a candidatos, sejam eles de quaisquer estratos políticos. O companheiro do PT baiano, Nelson Pelegrino, derrotado nas urnas por ACM Neto, também obteve uma parcela considerável dos recursos para a sua campanha por meio de doações ocultas.

Com total arrecadado de R$ 15,5 milhões, cerca de 70% desse valor chegaram à campanha através dos diretórios nacional e estadual da sigla, uma amostra que o dispositivo é compartilhado tanto por candidatos associados a posições de direita, quanto por siglas tradicionalmente ligadas a movimentos sociais de esquerda.

O levantamento realizado pelo Congresso em Foco traz ainda um dado importante sobre o total de doações para os prefeitos eleitos nas 26 capitais brasileiras. Empreiteiras, como a UTC Engenharia S.A., que doou R$ 1 milhão para Pelegrino, ou bancos, como o Itaú Unibanco, que doou R$ 250 mil para ACM Neto, estão entre os principais doadores declarados dos candidatos, porém a informação mais intrigante se refere aos valores das doações ocultas.

Segundo a pesquisa, de cada R$ 100 doados aos 26 eleitos nas capitais, R$ 75 tiveram origem oculta. Em outras palavras, dos R$ 136,9 milhões declarados pelos prefeitos eleitos em segundo turno, apenas R$ 35 milhões tiveram origem clara. Os demais R$ 101,9 milhões foram repassados por empresas aos diretórios partidários e comitês financeiros.

* Publicado originalmente na Tribuna da Bahia de 04 de dezembro de 2012

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