Candidatos trocam acusações em debate

Começou morno o debate da Band Bahia, realizado ontem, mas logo no segundo bloco o embate televisivo entre Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM) esquentou com a troca de farpas anunciada pelas propagandas eleitorais de ambos os candidatos.

Com o início reservado para responder por que se consideravam mais preparados para governar Salvador, cada um teve oportunidade de exaltar as próprias qualidades. “Tenho uma história de mais de 30 anos de relação com a cidade, conheço profundamente Salvador”, destacou o petista, falando ainda sobre a experiência política e administrativa.

Pelegrino citou ainda uma das suas principais bandeiras, o alinhamento com as instâncias federal e estadual de governo. ACM Neto adotou a posição de que o povo estaria clamando pela candidatura dele e aproveitou para atacar o governo do Estado, em áreas como segurança pública, mobilidade urbana e o que ele batizou de “perda de protagonismo” da Bahia. “Minha candidatura nasceu das ruas, da população de Salvador. E o povo sabe que quando um time está perdendo, a gente tem que trocar até o treinador”, alfinetou o democrata, numa referência às metáforas de times utilizadas pela campanha de Pelegrino.

“O time que está perdendo é o da prefeitura”, apontou o petista. Esses ataques ficaram mais frequentes quando os candidatos passaram a trocar perguntas entre si, começando com ACM Neto falando sobre a fase de Pelegrino à frente da Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, apontando que o petista estaria escondendo “seu fracasso na secretaria”. Apesar das críticas, o candidato do PT refutou que tenha sido mal avaliado no período em que esteve à frente da pasta e citou São Paulo como uma cidade governada pela aliança PSDB-DEM dominada pela organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Mais uma vez, João Henrique, citado por Pelegrino como “prefeito de ACM Neto”, se tornou assunto da discussão. O petista insistiu que há uma relação entre o titular do Palácio Thomé de Souza e o democrata, situação negada com veemência por ACM Neto. “A saúde em Salvador está testada e reprovada. A gestão na área de mobilidade é muito ruim”, criticou o democrata, sendo um pouco mais ácido nos comentários sobre João Henrique.

Dois episódios relacionados ao pagamento de dinheiro a parlamentares em troca de apoio, conhecido como mensalão, vieram à baila no debate ontem. Enquanto ACM Neto trouxe o caso em julgamento no Supremo Tribunal Federal, Pelegrino apontou o escândalo envolvendo o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM). Na troca de acusações, o democrata provocou se Pelegrino defenderia a expulsão de nomes como José Dirceu e José Genoino e o petista disse que o ex-senador ACM se dizia “confidente” do próprio Dirceu. Em defesa do avô, Neto disse que ACM não estava ali para se defender.

No terceiro bloco, mediado pela jornalista, o candidato Nelson Pelegrino quis saber do democrata sobre o que fazer para governar a cidade sem o apoio dos governos federal e estadual. Antes de responder, Neto aproveitou para questionar sobre a relação do candidato do PT com os petistas julgados pelo mensalão. Neto disse que em hora nenhuma nem Dilma nem Wagner disseram que iriam prejudicar a cidade e questionou ao petista se haveria essa possibilidade de retaliação.

Em sua resposta, Nelson disse que existe a necessidade de ter um alinhamento que facilite a chegada de recursos para serem investidos na cidade. Em sua tréplica, o democrata voltou a enfatizar que João Henrique não era seu prefeito e disse esperar que o presidente e o governador se comportem de forma institucional, não prejudicando a cidade.

Faltam propostas e sobram críticas

Ainda no terceiro bloco, os candidatos deixaram de lado as propostas e intensificaram os ataques. Em sua pergunta, ACM Neto quis saber o motivo de o metrô não ter sido levado pelo governo do Estado para Cajazeiras. Em sua resposta, Nelson disse que vai trabalhar para levar o meio de transporte para o bairro. Ainda no embate sobre o metrô, o petista aproveitou para criticar o ex-prefeito Antonio Imbassahy e disse que os governos federal e estadual vão levar o equipamento tanto para Lauro de Freitas, como a Estação Pirajá e Cajazeiras.

Ao questionar a avaliação de ACM Neto sobre a educação do município, Nelson Pelegrino ouviu que a pior escola publica do país, segundo o Ideb, é uma estadual localizada em Salvador. Em sua resposta, o democrata chegou a cantarolar o hino dos professores durante a greve: “você pagou com traição, a quem sempre te deu a mão”.

Em seguida, o democrata disse ainda que Pelegrino havia buscado o apoio do PTN, feito elogios ao presidente da sigla, João Carlos Bacelar, durante a convenção do partido. “O senhor trabalhou pelo apoio dele e agora o critica”, disparou o democrata, para completar: “O senhor gosta tanto do passado que levou Cesar Borges e Otto Alencar para o seu lado”.

Na última parte do bloco, Neto perguntou sobre a proposta de Wagner de construir cinco pontos de pouso de helicópteros e sobre a greve dos professores. Em resposta, o petista disse ter interagido durante toda a greve com o comando do movimento, na tentativa de acabar com a paralisação, que durou 115 dias. Nelson disse ainda que os pontos de helicóptero eram uma exigência da Fifa, na preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014.

A troca de acusações foi recorrente durante o debate, com Pelegrino recorrendo ao virtual apoio de JH a Neto e o democrata atacando a gestão do PT no Estado. Já nas considerações finais, tanto Pelegrino quanto ACM Neto optaram por não tecerem críticas, agradecendo o apoio recebido no primeiro turno e pedindo votos no dia 28, quando os eleitores voltam às urnas.

* Matéria de Osvaldo Lyra e Fernando Duarte, publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 19 de outubro de 2012

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