Apoio de Durval a José Ronaldo irrita o PDT

O senador João Durval (PDT) não surpreendeu ao deixar de apoiar o candidato à reeleição em Feira de Santana do próprio partido, Tarcízio Pimenta, mas mostrou que, além da insatisfação com o correligionário, o ex-governador também não está satisfeito com o grupo político que o elegeu para o Senado em 2006, que tem como candidato na cidade o deputado estadual Zé Neto (PT). “O PDT tendo candidato, era de se esperar que ele apoiasse Tarcízio, mas não acontecendo, ele não deveria apoiar um candidato da oposição. Ele foi eleito dentro de um projeto”, reclamou o presidente estadual do PDT, Alexandre Brust.

Para o dirigente, o posicionamento de Durval não condiz com a “tradição política legalista dele”. “Lamento muito que o senador João Durval, como presidente de honra do PDT e como senador pelo partido, tenha adotado essa postura”, criticou Brust, classificando-o como “ingrato”. Durval e o atual prefeito brigam pelo controle do partido na segunda maior cidade do estado e a animosidade pessoal era de conhecimento público, porém a expectativa inicial era que o apoio migrasse para Zé Neto, apoiado pelo governador Jaques Wagner, apoiado pelo PDT em nível estadual.

O presidente da sigla, entretanto, prefere se abster sobre o posicionamento pessoal de Durval, porém é duro ao apontar que houve incoerência por parte do senador. “Não cabe a mim falar sobre uma posição dele. Agora, ele não sabe separar a pessoa física, João Durval, da pessoa jurídica, senador do PDT”, disparou Brust. “O que era esperado é que ele apoiasse o partido ou o projeto do governo”, comentou.

Com a declaração de apoio a José Ronaldo (DEM), a situação do filho do senador, deputado federal Sérgio Carneiro (PT), pode ficar complicada. Suplente na Câmara, Carneiro está atualmente na vaga de Marcos Medrado (PDT), licenciado do mandato para participar da campanha do petista Nelson Pelegrino em Salvador. Caso haja um levante nas orbes da base do governo, existe a possibilidade de retaliação a Durval com o retorno de Medrado ao Congresso Nacional. O pedetista, porém, negou que essa seja uma hipótese a se considerar. “Eu não faria isso. Se o PDT adotar uma postura com o senador João Durval, eu seguirei. Meu afastamento foi pessoal e não retornaria à Câmara nessa situação”, assegurou o parlamentar. Ao ser questionado sobre as motivações do senador João Durval para apoiar o candidato do Democratas, Alexandre Brust opta pelo silêncio.

Apesar de haver o burburinho de que essa posição faria parte de um acordo para o pleito de 2014, que começa a se desenhar com as eleições de outubro, o presidente estadual do PDT não credita a posição de Durval a alianças futuras. “A não ser que ele esteja querendo voltar ao passado dele”, tangenciou Brust, numa referência a ligação do senador com o antigo PFL, partido que originou a formação do DEM.

* Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 25 e 26 de agosto de 2012

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