Hitchcock era um gênio

Qualquer pessoa que tenha ouvido falar de cinema alguma vez na vida muito provavelmente ouviu falar desse gênio do gênero, especialista em filmes com muito suspense e horror. Um dos filmes clássicos de Alfred Hitchcock (1899-1980), Psicose (1960), possui uma cena que deve estar entre as cinco mais conhecidas da história:

Para homenageá-lo, durante o semestre 2006.2, o crítico de cinema e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, André Setaro, preparou um programa de aula para a disciplina Cinema Internacional restrita a filmes de Hitchcock. Era um ode a essa personalidade mítica da sétima arte. E foi assim que tive contato com os clássicos do terror. Se durante aquele semestre já tinha certeza que Hitchcock era único, a vinda para os EUA apenas confirmou. E a explicação vem de um outro filme dele. The Birds, de 1963, conta a história de uma cidade, Bodega Bay, Califórnia, tomada por uma praga de pássaros que atacam os moradores e amedrontam todos na cidade. Uma pacata cidade do interior dos Estados Unidos, como Moscow, repleta de corvos…

A primeira vez que ouvi o som de um corvo, ainda na primeira semana de aula, não sabia para que lado olhar. A imagem de uma revoada tentando me atacar crescia assustadoramente. E parecia que não se restringia a mim. Ao meu lado, uma sul-coreana comentou não gostar do som. Parecia um mal agouro. “Não há como não lembrar de The Birds”, falei. “Hitchcock era um gênio”, completou ela. O gênero do terror, ou melhor, Hitchcock, manifestava as mesmas emoções em duas pessoas com tão diferentes backgrounds. Ela uma professora infantil de 29 anos de um país com educação extremamente tradicional. Eu, um brasileiro criado em meio a uma certa “liberdade” educacional. Ela vem de um País em que os mais novos são obrigados a cumprimentar os mais velhos todas as vezes que os encontra – como uma continência. Eu, de um país que ser velho ainda é considerado uma lástima para alguns. Mesmo com tantas diferenças, os dois compartilhavam o mesmo medo, criado pelo som de um pássaro. E compartilhavam também a influência de Hitchcock na formação dos backgrounds intelectuais. Sem sombra de dúvidas, ele foi um gênio, de Salvador (Brasil) a Seul (Coréia do Sul).

A dúvida que fica é: o som de um corvo é assustador por natureza ou o filme de Hitchcock nos fez acreditar nisso? Talvez quem não tenha assistido o filme possa responder facilmente. Eu, não me encontro apto. Tenho medo de corvos…

Corvos fazem parte do cotidiano de Moscow, Idaho. Esse lavava um pedaço de barra de cereal encontrada na rua antes de comer.

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Comments
4 Responses to “Hitchcock era um gênio”
  1. Hugo Santiago disse:

    Rapaz, se você notar, é quase uma tradição nos filmes de terror e suspense o som do corvo… Tanto que na minha família quando assistimos filme juntos ficamos sempre na expectativa do tradicional som… Agora sei de onde partiu a influência… Vou assistir o filme!

  2. É engraçado como muitas vezes recebemos algumas influências indiretas e não sabemos de onde elas vêm. Talvez tenha um filme anterior, porém The Birds é o mais antigo filme que conheço em que os corvos tem um papel um pouco macabro. E sua influência ultrapassa barreiras geográficas.

  3. Acho que o corvo sempre foi presente nas histórias de horror e suspense, haja vista o mestre Edgar Allan Poe que já trazia esse elemento nas histórias e, sem dúvida, é influencia para o “Alfredo”.

  4. Só que o refencial compartilhado na Coréia do Sul e no Brasil é Hitchcock. Mas concordo que Allan Poe era um gênio também. O que me chamou a atenção foi não foi a presença do corv0 em si, mas como compartilhamos as mesmas experiências sensoriais em diversas partes do mundo.

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