Tempo, mano velho…

A maioria das vezes que penso sobre o que é tempo, lembro da fala de um amigo meu que repetia diversas vezes “tempo é uma questão de prioridade”. De certa forma concordo com ele. Ando tão absorto em aproveitar ao máximo a experiência em Moscow que acabo não parando para escrever e contar o que anda acontecendo por aqui. Para quem espera que o blog seja visitado é uma opção errada, mas uma opção. Mas esse post não é para falar sobre prioridades. É para comentar como a lógica de tempo funciona por aqui.

Sempre tive problemas com o tempo brasileiro – ainda mais com o tempo baiano. Temos o péssimo hábito de agendar compromissos e já contar com um atraso mínimo de 15 minutos para tudo. Lembro das diversas vezes que agendei alguma reunião com o pessoal da faculdade e chegava 10, 20 minutos antes e ficava esperando mais uns 10 ou 20 minutos depois pela chegada de outra pessoa. Claro que isso não acontecia com todo mundo, mas era uma coisa bem usual e que, infelizmente, fui obrigado a me acostumar – “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Chegando a Moscow, entretanto, meu primeiro e talvez grande choque cultural foi com a questão de horários. As aulas começam impreterivelmente de acordo com a agenda de horários. Nunca há atraso para começar e também para terminar. Quando acontece da aula ultrapassar dois ou três minutos do previsto, temos uma sequência de desculpas dos professores e, algumas vezes, do coordenadores/ conselheiros do curso. E as professoras tem o costume de dividir o horário da aula em partes, normalmente com trabalhos em grupo – uma das coisas que não concordo na metodologia. E quando elas falam cinco minutos, estão falando realmente de cinco minutos. Não há desconto ou nada que faça atrasar. Nem mesmo pedidos como “por favor, mais um minutos”. E elas ainda tentam se divertir, com contagens regressivas torturantes quando as atividades valem nota. Acho que há um pouco de sarcasmo quando elas começam “10… 9… 8… (…)”. Como já não gostava dessa ideia em português, em inglês minha cabeça entra em parafuso ao ouvir esses números contados paulatinamente.

Outra coisa interessante é quando as pessoas te convidam para algo, como um almoço, por exemplo. Não pense em se atrasar, pois falta de educação é o mínimo que eles vão pensar. Na verdade, se isso acontecer, existe grande possibilidade de você perder o amigo. A noção de tempo daqui é diferente da nossa. Juro que espero que um dia consigamos aprender isso.

PS: Essa semana vi, pela primeira vez, um engarrafamento. Eram cerca de 20 carros em linha, que estavam parados por conta de uma faixa de pedestres. Alguém consegue imaginar um engarrafamento causado por um grupo de pedestres querendo atravessar a rua? Venha em Moscow num Vandal Friday – dia em que futuros estudantes e suas famílias visitam a University of Idaho – e facilmente poderá ver.

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