O que esperar de HP7 – Parte 1

Próxima sexta-feira, milhares de fãs do mais famoso bruxo adolescente do mundo estarão indo aos cinemas brasileiros para assistir à estreia de Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1. Parte desses delirantes fãs, que chega a disputar pelo mundo torneios de quadribol – esporte criado por J. K. Rowling envolvendo manobras com vassouras voadoras, não se conformou quando a Warner anunciou pouco tempo depois do início da produção da adaptação do último livro da saga aos cinemas que a história seria dividida em duas partes. A decepção foi grande, mas foi algo meticulosamente planejado, muito provavelmente desde o lançamento de Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007), quando algumas peças do tabuleiro criado pela inglesa começaram a ficar mais soltas que o costume das primeiras versões fílmicas dos estudantes de Hogwarts.

Antes de conhecer a obra, ainda em 2000, já me tornara fã do fenômeno que Rowling começava a lançar. Isso porque sempre fui facilmente impressionado por blockbusters e best-sellers que vendem horrores mesmo com a crítica falando mal e tendo prazer em fazê-lo. Depois de sobreviver aos dois primeiros volumes da saga – difíceis de digerir pelos excessos e falta de elementos mais intrigantes na trama (os finais são mais previsíveis do que os outros) – passei a acompanhar atendamente as adaptações da obra para o cinema. Sempre bem aquém do que qualquer fã esperaria, alguns filmes tiveram êxito nas propostas, enquanto outros apressaram aspectos que só surgiriam na trama nos livros posteriores – até hoje ninguém consegue superar Peter Jackson e a trilogia O Senhor dos Anéis. Mas o que esperar da primeira parte de um livro com ações frenéticas e qualquer pausa quebra o ritmo da trama?

Assisti a Harry Potter e o enigma do príncipe na primeira sessão brasileira e mundial, às 00:01h do dia 15 de julho de 2009. Até agora não acredito que dei uma de Potter maníaco a esse ponto – a diferença foi que não estive vestido com capas ou segurando vassouras. Ao sair da sessão, com direito a algumas pescadas – gíria baiana para cochilos -, saí de lá decepcionado não com a qualidade do trama ou do filme. Saí de lá triste com a certeza de que a Warner exagerou na dose para ter que dividir o último livro em duas partes e quem já leu o gran final de Rowling ou mesmo aqueles que vão assistir a HP7 – Parte 1 vão perceber exatamente do que estou falando.

A primeira parte, que estreia sexta, trará não as cenas eletrizantes que qualquer fã espera ver num filme de aventura e ação. Aliás, até as trará, mas todas utilizando um recurso comum, porém bastante pobre se usado em excesso: flash-back. O próprio livro usa essa estratégia em diversas oportunidades, mas na dose correta. Para entender o que são as relíquias da morte, Harry, Ronny e Hermione terão que retornar a momentos importantes das obras predecessoras, especialmente ao sexta filme, que deixou todas as amarras soltas, justamente para usar esse recurso por mais de uma vez.

É lógico que o grande confronto entre Tom Riddle/ Lord Voldermort ficará para 2011. Nem espere difrente disso. Mas se você estiver se programando para ir ao cinema assistir As relíquias da morte, saia preparado para lidar com flash-backs com as andanças de Harry e Dumbledore presentes no sexta livro e não apresentadas no livro correspondente. As cenas que mais prendem a atenção dos telespectadores ficarão para a parte 2 e teremos mais uma vez o efeito Matrix Reloaded e Matrix Revolution, em que o último completa o antecessor e decepciona até os mais empolgados fãs de uma das séries de maior sucesso dos últimos tempos – tanto para o mercado editorial quanto para Hollywood.

PS: Até postaria críticas mais próximas às cenas do filme, porém como foca sem zoo, ainda não tenho direito a ir para pré-estreia para jornalistas. Quem sabe um dia?

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Comments
5 Responses to “O que esperar de HP7 – Parte 1”
  1. Adaptações são sempre problemáticas e hollywood ainda está aprendendo a conciliar GRANA com respeito ao fã. Explico. Quando se faz uma adaptação de um best-seller o estúdio tem básicamente dois públicos para atingir: fãs do livro, que criam suas projeções de filme perfeito e geralmente se frustram por que não viram suas 500 páginas lidas honradas nas telas do cinema, e aqueles que não leram o livro e esperam que o filme explique para eles porque milhares de pessoas adoram a estória. O problema tá aí. O estúdio, como qualquer negócio neste mundo, quer lucrar e faz um filme que seja de fácil entendimento ao americano médio (vide o fracasso no lançamento de Inception lá nos EUA).
    Sabe qual o resultado disso, amigo: fãs frustrados, que vão xingar muito no twitter, e gente que vai achar que o livro é uma merda foda (Código da Vinci é a maior prova disso).

    Para nossa sorte esse cenário tá mudando. Zack Snyder em 300 e Watchmen, mostrou como se faz uma adaptação de quadrinhos. E foi reconhecido por agradar fãs (e amigo, acredite, se o cara agradou fãs de quadrinhos o cara é bom) e a galera que não conhecia a estória. A prova disso é que ele será o diretor do próximo Superman. Outro exemplo é Christopher Nolan, que comoveu o mundo com o coringa de Heath Ledger e conquistou o respeito dos nerds do mundo.

    A nós, resta a oração para que mais gênios como Snyder e Nolan surjam e conduzam o mercado hollywoodiano. Ou ainda xingaremos muito no twitter.

  2. Fernando Duarte disse:

    A análise que fiz não apenas de um fã que percebe que os filmes anteriores não costuraram completamente a trama. Comentei que para corrigir essa falha que não comprometia a estrutura do roteiro nos outros episódios no cinema agora darão trabalho à primeira parte de Harry Potter e as relíquias da morte, pois as pontas que ficarão soltas necessitarão ser costuradas com o uso de flash-backs.

  3. Wilton Black disse:

    Olha, eu como fã da série há mais de 8 anos ( desde os meus 10) afirmo que vi com bons olhos a divisão da adaptação do 7º livro de HP, simplesmente por que sempre achei que os filmes tinham que ser mais do que era. Quinta pra sexta ( irei na primeira sessão, e com certeza não cochilarei) vou ver a primeira parte e, com muita ansiosidade, espero que o filme seja tudo aquilo que eu e milhões de jovens esperam. Harry Potter marcou época e uma geração, não tem que acabar como uma má adaptação e um fracasso de críticas, espero eu que esteja certo.
    Wilton Black

    OBS: Muito bom o seu post

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