Bacelar deixa Educação. Khoury assume e PTN mantém indicação

Foram sete meses de resistência, porém o secretário de Educação, João Carlos Bacelar (PTN), sucumbiu e pediu afastamento da pasta nessa terça-feira (30/7), de acordo com nota divulgada pela própria prefeitura. Único remanescente da administração de João Henrique (PP), Bacelar foi o principal alvo de oposicionistas desde a indicação do prefeito ACM Neto (DEM) e enfrentou denúncias antes mesmo do começo da atual gestão. Para a vaga, o Executivo municipal optou por um quadro do DEM, o ex-deputado federal Jorge Khoury, que era superintendente da Companhia de Trens de Salvador até a transferência do órgão para o governo do estado.

De acordo com o Palácio Thomé de Souza, o deputado estadual licenciado pediu para retomar o mandato na Assembleia Legislativa e se integrar à bancada da oposição – com o retorno de Bacelar, o suplente Uziel Bueno (PTN) deixa o Legislativo. Em Brasília, onde tenta captar recursos para obras de mobilidade urbana, ACM Neto (DEM) destacou a atuação do aliado. “É um parceiro e amigo, que trabalhou com afinco e competência no exercício do cargo. Nos deixa para enfrentar os desafios do Parlamento e certamente com o sucesso que sempre obteve nos cargos que exerceu. Ele volta ao Legislativo para trabalhar com a inteligência que sempre marcou a sua atuação”.

“A sociedade passou por uma transformação nos últimos tempos e eu quero discutir isso na Assembleia. Na quinta-feira eu volto como deputado e quero conversar mais com as bases do interior sobre a eleição de 2014”, sinalizou Bacelar em entrevista àTribuna. Para ele, foi chegado o momento de retornar ao mandato e dedicar-se à construção da estrutura do PTN para o pleito do próximo ano. “Estou saindo para preparar o partido e a chapa para a eleição”, relatou o até então presidente licenciado da sigla. Sobre as relações com o prefeito, o ex-secretário salientou que continua “totalmente sintonizada”. “Os adversários vão dizer que vou sair com problemas, porém vamos continuar contribuindo com o prefeito. A nossa relação política e de amizade se mantém. Jorge Khoury foi uma sugestão do PTN”, frisou Bacelar.

Segundo ele, o primeiro pedido para exoneração aconteceu ainda no começo do ano, quando houve o incêndio na sede da Secretaria de Educação. “Logo que acabou o episódio do incêndio, eu disse que estava na hora de sair, porém o prefeito pediu que continuasse. Agora resolvi pedir o afastamento”, afirmou.

Exoneração foi voluntária

Ainda que houvesse pressão por parte de adversários – e até correligionários, como no caso do vereador Carlos Muniz (PTN), durante a eclosão das denúncias por causa da contratação do programa Alfa e Beto –, o pedido de afastamento do secretário de Educação, João Carlos Bacelar, foi encarado com surpresa por frequentadores do Palácio Thomé de Souza. Fontes consultadas pela reportagem foram informadas durante o processo de apuração e, ao serem indagadas, não esconderam a falta de conhecimento prévio do assunto. “Estou sabendo agora”, apontou um aliado do prefeito ACM Neto.

O tom ameno da despedida tenta sinalizar que a saída de Bacelar aconteceu sem maiores traumas na relação entre o PTN e o Palácio Thomé de Souza, razão pela qual a oposição chegou a afirmar que o prefeito era refém do partido aliado. Uma substituição, no entanto, era considerada iminente, ainda que a prefeitura negasse com veemência a hipótese. Alvo de denúncias como a contratação, sem processo de licitação, da Fundação Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia, ainda sob o comando de João Henrique, e, já no governo de ACM Neto, do programa Alfa e Beto, Bacelar tinha como trunfo a influência sob o maior partido do governo na Câmara. Nos últimos meses, entretanto, o desgaste causado pelas denúncias e até mesmo na relação dos vereadores com o Executivo assinalavam o afastamento antes da previsão inicial.

PTN continua na base

Prestes a reassumir a direção estadual do PTN, João Carlos Bacelar assegurou que não existe mudança na relação entre o partido e o Palácio Thomé de Souza. Considerada uma das peças-chave para a eleição de ACM Neto em 2012, a sigla indicou Jorge Khoury para a função antes mesmo da filiação do ex-deputado, o que deve acontecer até outubro próximo. “Ele está sem partido”, apontou Bacelar. Com a costura para a migração do novo titular da Secretaria de Educação, que toma posse logo mais, o partido se mantém no primeiro escalão do Executivo soteropolitano.

Por enquanto, a bancada do PTN na Câmara se mantém coesa, dentro da maioria, conforme sugere o líder do grupo, o vereador Toinho Carolino. “Continuamos como governo”, assegurou Carolino. De acordo com o edil, a decisão para o afastamento de Bacelar foi tomada consensualmente com vereadores e deputados estaduais do partido, que foram consultados pelo ex-secretário antes da formalização do afastamento. “O secretário era o único remanescente da administração de João Henrique e toda a raiva dos adversários e das pessoas derrotadas na eleição foi concentrada em Bacelar. Nós discutimos e avaliamos que era o melhor momento”, apontou o líder da bancada.

Do outro lado, o líder da oposição, Gilmar Santiago (PT), sugere que o afastamento era esperado e pode tensionar as relações do PTN com a prefeitura. “A permanência dele já era algo que se tornou insustentável por causa dos desgastes que aconteceram desde a gestão do ex-prefeito João Henrique. A disposição do prefeito em tirar Bacelar era pública e isso não aconteceu por causa da força da bancada do PTN”, avaliou o oposicionista.

Segundo ele, “ACM Neto remove algo que estava prejudicando a imagem da prefeitura”, citando as constantes denúncias contra o ex-secretário. “A indicação é do prefeito ACM Neto. Jorge Khoury nem do PTN é e a origem dele é no DEM. Agora, a relação do PTN com o Executivo tende a ser uma relação mais tensa”, supõe Santiago. O petista considera ainda a nomeação de Khoury um “arremedo”. “Ele é um bom técnico, mas em outras áreas. Vamos esperar para ver. Eu acho que a saída de Bacelar vai resultar na perda da identidade política da bancada do prefeito na Câmara”, disse o líder da oposição.

Naturalmente, a opinião da liderança do governo é diferente do pressuposto levantado por Santiago. “Conversei com os vereadores do PTN e eles estão muito tranquilos. Eles devem, inclusive, participar da transmissão de cargo”, assegurou Joceval Rodrigues (PPS). “A prioridade dele é ser deputado federal e ele viu que não dava para conciliar a gestão da secretaria”, afirmou o líder governista. Ele, no entanto, não esconde que houve certa surpresa com a saída de Bacelar.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 31 de julho de 2013

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