Governo obtém maioria seduzindo independentes

A clássica divisão entre governo e oposição, com a maioria permitindo a votação dos principais projetos do Executivo, está prestes a ser consolidada na Câmara de Salvador, ainda que o discurso de vereadores ditos como “independentes” seja de manutenção do posicionamento sem ligações qualquer um dos lados. O líder do governo, Joceval Rodrigues (PPS), prefere não comentar sobre o assunto e evita falar em maioria plena – o que equivale a um quórum qualificado de 29 vereadores –, mas admite haver um cenário favorável ao Palácio Thomé de Souza. “Alguns partidos que estavam mais independentes estão hoje mais receptivos”, avalia a liderança da maioria.

O tom é similar ao adotado pelo secretário de Relações Institucionais, Pedro Godinho. O ex-vereador e atualmente como principal articulador entre a Câmara e o Palácio Thomé de Souza afirma que a prefeitura “tem tratado os vereadores de maneira igualitária”. “Quando possível, os pleitos dos vereadores têm sido atendidos, independente deles fazerem parte da bancada de governo ou não”, assegura Godinho. Questionado sobre a maioria atingida pelo prefeito ACM Neto, o secretário tangencia: “Não posso quantificar o número de vereadores que compõem a base, mas temos conversado para obter a maioria”, aponta.

A costura para atingir a maioria qualificada da Câmara perpassa, principalmente, pelos partidos apresentados como independentes, como PSC e PSD, porém as negociações incluem vereadores da base governista que mostraram posicionamentos divergentes das indicações das lideranças partidárias, como Carlos Muniz (PTN).

Na atual configuração da Casa, três partidos compõem a oposição, PT, PCdoB e PSB, com 11 vereadores, e o apoio, na maioria dos pleitos, do PSOL. Os demais partidos caminham com tendências mais próximas do governo, com exceção de Edvaldo Brito (PTB) e Duda Sanches (PSD), que mantêm a posição de votar projetos com “olhos voltados para a cidade”. Segundo bastidores, apenas os dois deverão efetivamente permanecer como independentes, deixando a maioria com 29 vereadores, exatamente o número da maioria qualificada, exigida para projetos relevantes para o Palácio Thomé de Souza e para a própria Câmara.

Outro partido a negar a sedução pelo governo é o PSC, que recentemente desembarcou oficialmente na base aliada do governador Jaques Wagner. Segundo o líder do partido na Câmara, Heber Santana, a legenda manterá a independência do governo, porém admite que “não fará oposição por oposição”.

O argumento utilizado por Brito, Sanches e por outros independentes é compartilhado pelo governista Carlos Muniz, considerado o curinga no tabuleiro do governo. Com claras demonstrações de tensão no relacionamento com a prefeitura, Muniz chegou a declarar-se independente do governo, mesmo com seu partido comandando a Secretaria de Educação, com João Carlos Bacelar.

Ainda que esteja com o discurso semelhante, a postura do vereador está mais maleável do que no começo da legislatura, quando em rompantes aproximou-se da oposição. “Eu pretendo ser independente. Não sou oposição. Se o projeto for bom para a população, vou votar a favor. Agora não posso dizer que sou governo e tenho que aprovar tudo o que é enviado. As pessoas não entendem que a bancada de governo não é submissa à prefeitura”, avalia Muniz.

A prova de fogo para o governo será em maio, quando está prevista a apreciação da reforma tributária. Porém, os líderes partidários ligados ao Palácio Thomé de Souza não escondem a tranquilidade quando questionados sobre a apreciação de projetos. “Não temos maioria qualificada, mas estamos conversando para chegar a ela”, minimiza o líder do governo, Joceval Rodrigues.

*Publicada originalmente na Tribuna da Bahia de 11 de abril de 2013

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