O futuro de fatos – ou de factóides

Prefeito ACM Neto toma posse

Há uma semana, Salvador tinha um novo prefeito. ACM Neto (DEM) tomou posse em 1º de janeiro de 2013 com a expectativa de dar uma cara mais agradável a primeira capital do Brasil – ou uma “maquiagem” nas palavras da secretária de Ordem Pública, Rosema Maluf. É uma missão árdua e sua primeira semana foi marcada por pequenos fatos que, na análise do líder da oposição na Câmara de Vereadores, Gilmar Santiago (PT), não passam de factóides. E olha que, no terceiro dia de governo, Neto assistiu um incêndio destruir parte da Secretaria Municipal de Educação. Definitivamente, a gestão do democrata começou quente – literalmente.

A promessa de ocupar cargos por figuras iminentemente técnicas ficou na campanha – ao menos parte dela. Vide Maurício Trindade na secretaria de Promoção Social e Combate a Pobreza, Kátia Alves na Limpurb e Jorge Khoury na Companhia de Trens de Salvador (CTS). Lógico que alguns políticos possuem gabarito técnico para ocupar as funções a que foram designados. José Carlos Aleluia, na secretaria de Urbanismo e Transportes, é um deles. Porém, essa análise cabe em outro texto. Este quer tratar dos “fatos” – ou “factóides”, como diriam os opositores do prefeito.

Qualquer nova administração precisa, ao assumir uma instituição privada ou pública, fazer um choque de gestão. Especialmente quando a antecessora não atendeu as expectativas daqueles atingidos por ela. É baseado nessa premissa que ACM Neto e seus auxiliares investem na criação de pequenos fatos, como os 39 decretos, as visitas as comunidades com anúncios de projetos e a apresentação de pacotes de austeridade, como o corte de 25% no orçamento da prefeitura. Caso o eleito fosse Nelson Pelegrino (PT), haveria uma disposição similar nos primeiros dias. Afinal, é preciso mostrar que mudou. É preciso fazer com que os “liderados” saibam que há um novo gestor. E, para isso, vale tudo. Ou quase tudo.

O fogo não apagou completamente na secretaria de Educação e o prefeito anunciou escolas em tempo integral. Era uma medida mais que esperada. Foi anunciada na campanha e ratificada durante a transição. Mas, sem dúvidas, ela foi antecipada. Para a maioria, a adoção do ensino em tempo integral é sim um fato. Porém, o anúncio apressado, logo após um incêndio destruir o casarão histórico que abrigava a Educação, acabou transformando-o, para os opositores, num factóide. E com razão. A sorte de ACM Neto é que, depois dos desgastantes oito anos de João Henrique, muita coisa vai passar despercebida, principalmente as negativas.

Conversar com a população mostra um ar de esperança para a capital baiana. Todos torcem – inclusive os opositores – para que a cidade não seja prejudicada como um trampolim político para o herdeiro do ex-senador ACM. E, por mais que insistam em falar que os fatos são factóides, no fundo, o que todos querem é que o prefeito faça algo bom por Salvador.

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