Disputa pela presidência embola na Câmara

Poucas afirmações são tão unânimes na Câmara de Salvador quanto a de que o presidente do Legislativo é decidido apenas no dia 2 de janeiro, quando ocorre a eleição, por mais que as articulações aconteçam nos bastidores desde o resultado das urnas. Até o feriado de Natal, Paulo Câmara (PSDB) era o candidato de consenso da base do governo, porém um novo viés surgiu no dia seguinte, quando Carlos Muniz (PTN), que havia declinado da candidatura no sábado, recuou e manteve a postulação a presidência. Nesse bojo, incluiu-se ainda a tentativa de Henrique Carballal (PT) se viabilizar como nome da oposição para a disputa. Tudo a menos de uma semana da escolha do sucessor de Pedro Godinho (PMDB).

De acordo com o tucano Paulo Câmara, Muniz retirou a própria candidatura no sábado para apoiá-lo como um consenso da base de sustentação do futuro prefeito ACM Neto. “No domingo eu conversei com ele e a postura foi a mesma. Ele não era mais candidato”, relata Câmara. Além dele, os outros dois integrantes do PTN que até então se apresentavam como candidatos, Geraldo Jr. e Alan Castro, também teriam desistido da candidatura para haver um único nome na base de Neto, conforme prenunciado por ambos. O futuro líder do governo no legislativo, Joceval Rodrigues (PPS), avaliza a versão do tucano para o encontro do sábado, quando se definiu a composição.

“Houve o anúncio de apoio a Paulo Câmara e o acordo para que no segundo biênio o nome do governo para a presidência seja Carlos Muniz”, aponta Rodrigues. Ele, porém, se diz tranquilo com relação ao processo, apesar de transparecer um racha na base de apoio a Neto. “Em tese, é natural quando estamos nesse processo que existam ajustes. A Câmara sempre é muito complicada nessa questão de eleição da mesa, mas garanto que na próxima semana teremos a candidatura como consenso da base”, afirma.

Para alicerçar seu argumento, Rodrigues cita como exemplo a eleição de Pedro Godinho, quando, no dia, houve a desistência de Carballal e a construção de uma chapa única para a mesa com base e oposição juntas. E, ainda assim, 11 dos 41 vereadores se abstiveram de votar no peemedebista. “Estou muito otimista pelo entendimento”, frisa a futura liderança governista. A indefinição quanto ao nome do governo, entretanto, deve ser sanada apenas hoje. “Terei uma conversa com o vereador Carlos Muniz e acredito que amanhã (hoje) haja uma definição”, sugere Paulo Câmara.

Nos bastidores, o burburinho é de que a candidatura do Muniz esteja sendo fomentada por Carballal, que assistiu a dois partidos da base do governo estadual, PSD e PCdoB, anunciarem apoio à candidatura de Câmara e os comunistas revisarem a postura em reunião das legendas ontem. No caso do PCdoB, porém, a crítica ao petista foi incisiva por meio do vereador Everaldo Augusto. Em entrevista ao site Bahia Notícias, Augusto afirmou que “Carballal não agrega”, além de ser um nome “que não transita bem nem no PCdoB, nem em outros partidos do governo, nem dentro do próprio PT”.

Na defesa da união da base estadual, o presidente estadual petista, Jonas Paulo, pediu ponderação a PSD e PCdoB. “É um equívoco lideranças dos partidos da base se dispersarem em falsos antagonismos e pior ainda em acusações”, argumentou.

PTN sem candidato

A insistência na candidatura de Carlos Muniz (PTN) à presidência da Câmara não foi bem recebida pelo presidente estadual da sigla, João Carlos Bacelar, que integra o primeiro escalão do governo de ACM Neto como secretário de Educação. Em entrevista à Tribuna, Bacelar afirmou que “o PTN está alinhado com a candidatura da base, do vereador Paulo Câmara (PSDB)”. “Ser candidato é contra o indicativo do partido. O PTN não terá candidato do seu quadro a presidência da Câmara”, frisou o dirigente.

“Eu gosto muito de carnaval e de futebol, mas o PTN não é como um bloco ou uma torcida organizada que cada um age da forma que acha melhor. O PTN tem diretriz, tem compromisso com ACM Neto”, enfatizou Bacelar, que evita em falar em proibir uma eventual candidatura de Muniz, mas admite que, caso haja a manutenção da postulação, “ela transgride as normas do partido”.

Apesar da postura incisiva contra o posicionamento do correligionário, o secretário reconhece o papel de Muniz na construção da legenda em Salvador, que duplicou o número de cadeiras na Câmara entre 2008 e 2012. “O vereador Carlos Muniz sempre foi obediente e foi peça fundamental para o partido. Foi não, ele é uma peça fundamental”, amenizou Bacelar, único a permanecer no secretariado soteropolitano mesmo com a troca de governo.

“Desde o primeiro turno estamos com o prefeito ACM Neto e nada mudou. Existe um candidato da base, de consenso, e é o vereador Paulo Câmara. O PTN vai apoiar a candidatura da base”, reforçou o dirigente da sigla. Ainda que tenha tentado minimizar a posição de Muniz com a candidatura, Bacelar, entretanto, destaca uma conversa que teve com os candidatos do partido à Câmara de Salvador. “O PTN dá liberdade a todos os candidatos. A única coisa que o partido não abre mão é a fidelidade partidária”, avisou. Ele, porém, acredita que tudo será resolvido. “Acho que isso não será um problema”, completa.

*Publicado originalmente na Tribuna da Bahia de 28 de dezembro de 2012

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