PMDB fecha acordo com ACM Neto

Sem muito espaço para festejos, o PMDB anunciou ontem, oficialmente, o posicionamento do partido no segundo turno das eleições 2012 em Salvador, desembarcando na candidatura de ACM Neto (DEM). Após imputar como especulação as informações acerca do acordo entre a oposição ao governo estado, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e parte da equipe peemedebista se espremeram na sede da sigla na capital baiana para declarar juras de amor ao democrata, antes atacado por sepultar a união entre PMDB, DEM e PSDB no primeiro turno.

“Consultamos os vereadores, os deputados e o restante do partido e chegamos a conclusão que o melhor para Salvador é o candidato ACM Neto”, iniciou a coletiva de imprensa o presidente estadual peemedebista, Lúcio Vieira Lima. Afônico, o dirigente repassou a batuta para o irmão, Geddel, que teceu explicações sobre a decisão. “O PMDB julgou que o melhor para a cidade é ACM Neto. O voto partidário do PMDB, para os vereadores do partido, do candidato a vice, Nestor Neto, está aqui. A questão é municipal, não é nacional ou estadual”, justificou o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.

Tratada como condição para a troca de apoios nesse segundo turno das eleições pela imprensa local e nacional, o pleito de 2014 foi pauta recorrente da coletiva, porém o ex-ministro evitou ao máximo tratar do assunto e disparou não haver qualquer negociação em torno da sucessão do Palácio de Ondina. “Estou declarando apoio a ACM Neto em 2012. Firmamos um acordo para 2012”, frisou Geddel, que ocupa um cargo de confiança na esfera federal.

A função na Caixa, entretanto, não é ponto passível de discussão, na opinião do peemedebista. “Não devo deixar o cargo. A realidade nacional continua a mesma de quando assumi o cargo. Se eu estivesse apoiando Pelegrino, eu iria pedir demissão do cargo, pois iria parecer uma negociação”, apontou o ex-ministro. A informação de que a vice-presidência seria entregue por ele, divulgada por jornais do sudeste, foi negada com veemência. “Não houve qualquer interferência ou pedido da presidente Dilma [Rousseff]”, destacou.

Aparentemente menos eufórico após a vitória no primeiro turno das eleições, ACM Neto chegou antes dos irmãos Vieira Lima na sede do PMDB. Acompanhado por vereadores eleitos do DEM e do PSDB, além de deputados estaduais que o apoiavam desde o primeiro momento da campanha, o democrata ouviu os elogios dos peemedebistas e, quando falou, se esforçou para descontruir o argumento de que a falta de alinhamento com o governo federal seria um problema para a sua candidatura. “Quero utilizar o PMDB como um interlocutor junto ao governo federal. No dia 28, quando terminar a eleição, vou ligar para o vice-presidente da República, Michel Temer, para que ele nos receba”, sugeriu.

“Recebo o apoio do PMDB com muita alegria, pois é um partido de grande densidade eleitoral em Salvador e na Bahia”, rendeu-se ACM Neto, na onda de elogios recíprocos entre as lideranças partidárias. “Minha prioridade era o PMDB. Foquei minhas energias para obter o apoio do PMDB, uma aliança pautada no propósito comum de fazer o melhor para Salvador”, sugeriu o democrata. O candidato criticou ainda eventuais interferências externas na disputa pela Prefeitura de Salvador. “As disputas são travadas nas esferas próprias”, defendeu ACM Neto, ao mesmo tempo em que registrou respeitar a decisão do candidato do PMDB, Mário Kertész, que adotou outro rumo diferente do próprio partido.

Pelegrino herda Kertész, PSC e PSL

“Estamos tendo decisões diferentes. Mário nos disse que recebeu um telefonema do ex-presidente Lula e que iria seguir outro caminho, nos cabe desejar sorte”, relatou Geddel Vieira Lima na coletiva em que o PMDB anunciou o apoio a ACM Neto (DEM). Apesar de não confirmado por Mário Kertész – o que deve acontecer hoje às 09h na sede do Grupo Metrópole -, o radialista pediu a desfiliação do PMDB e deve engrossar a campanha de Nelson Pelegrino (PT). “Não há desavença”, frisou Geddel.

Além do apoio do quase ex-peemedebista, Pelegrino ganhou o apoio do único partido a se coligar com o PMDB na primeira etapa da eleição soteropolitana. O PSC, que elegeu dois vereadores no último domingo, fechou a decisão ontem, após analisar as proposições dos dois candidatos. “Nós tivemos reuniões com todos e entendemos que o melhor para Salvador era Nelson Pelegrino”, afirmou Eliel Santana, presidente estadual da sigla. Antes do fim do prazo para o registro de candidaturas, o partido esteve simpático ao projeto petista, mas acabou optando por apoiar Kértesz. “No primeiro turno, entendemos que a candidatura com o PMDB era uma opção. Agora a opção foi porque achamos que o projeto se assemelha com o defendido pelo partido”, justificou Santana. Segundo ele, as negociações não envolveram composições futuras na prefeitura. “Os vereadores vão contribuir na bancada da Câmara”, afirmou.

Outra adesão de ontem foi do PSL, que no primeiro turno lançou a candidatura a vice junto com Márcio Marinho (PRB). De acordo com o presidente estadual da sigla, Antonio Olívio, o PSL, além de ser da base do governador Jaques Wagner, possui cargos importantes no SAC e na Sudic, “é impossível não apoiar uma candidatura da base”. “Tivemos uma reunião com Wagner e com Pelegrino e nós fazemos parte desse projeto político. Não vamos negociar questões de espaço” prometeu Olívio. Com o acordo de apoio do PSL, é tácito que o PRB deve seguir o mesmo caminho. Os dirigentes da legenda, porém, não foram localizados para falar sobre a decisão.

Publicado originalmente na Tribuna da Bahia de 11 de outubro de 2012

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