Brasil, um país de todos – e racista

Há quem negue a afirmação do título, mas existem muitos exemplos de preconceito em diversas cidades do país. Na sexta (30), um casal de turistas espanhóis registrou ocorrência de um episódio envolvendo seu filho de seis anos, que teria sido expulso do restaurante Nonno Paolo, em São Paulo, enquanto eles se serviam no bufê. O menino, adotado na Etiópia, foi abordado pelo gerente e levado para o lado de fora do estabelecimento, que negou em entrevista a diversos jornais que seja um caso de racismo.

Racismo em Belém – Na madrugada desta quinta (05), um outro episódio de racismo aconteceu em Belém (PA), no restaurante Parrilla Country. O empresário Gilton Paiva aguardava a namorada na porta do banheiro quando seguranças o agrediram. “Fui estrangulado e discriminado pelos seguranças do local. Ao ser solicitada, a PM se recusou a prestar auxílio, e minha namorada, ao intervir junto aos seguranças, ainda sofreu ameaça de agressão. Sem contar o simples fato de ser tratado como ‘pretinho’ e ter sido ameaçado de ser ‘apagado’”, relatou Paiva no facebook.

Outros amigos, que acompanhavam o empresário, confirmaram a agressão pela rede social. “Ele simplesmente estava com sua namorada e foi levado como um animal irracional, arrastado pra fora da festa. Ao tentar se defender, ele foi surpreendido com a seguinte frase: ‘cala a boca pretinho, se não eu te apago’”, comentou Nanci Agria, também na rede social.

Procurado por e-mail pelo Foca, o restaurante ainda não se manifestou sobre o episódio.

Herança – Não adianta tapar o sol com a peneira. O preconceito racial está tão imbricado na estrutura social brasileira que poucos se dão conta deste grave problema. Vem do tempo de colônia e império, quando negros eram subjugados por suas condições de escravos, e foi evoluindo para o que aparece como preconceito econômico, mas que tem como pano de fundo, quase imperceptível, o preconceito racial.

O episódio de São Paulo tomou grandes proporções pela acusação ter origem num casal de turistas estrangeiros e será esquecido. O caso de Belém deve passar despercebido pela grande imprensa – até por ser longe dos principais centros urbanos. Até quando os brasileiros vão conviver com a mentira de que não há racismo no Brasil?

Leia também: O meu galho é na Bahia…

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