A muda sonhadora e cantora

O média-metragem musical Afônica (2011), trabalho de conclusão de curso de Maurício Lídio Bezerra, agora produtor cultural, é a prova de que desafios e barreiras foram feitos para serem superados. Com menos de dois mil reais investidos, o filme conta a saga de Carla (Lorena Blanes), uma jovem que perdera a voz num acidente de trânsito e sonha cantar. Com a responsabilidade de roteirista, diretor, produtor e editor, o jovem e premiado Bezerra descreve a história e a personagem de maneira bem concisa e com as emoções bem à mostra para os espectadores. Carla tem como coadjuvante Amadeus (Dan Hudson), única pessoa a acreditar no sonho da muda que queria cantar e com quem flerta um romance nas entrelinhas, e ainda divide a cena com Marli (Lindinete Pereira), sua mãe, e ‘Dona’ Silvana (Danielle Santana), professora de música e mãe de Amadeus.

Pouco maior do que os tradicionais curtas-metragens e com o estilo pouco usual dos musicais, Afônica pode ser considerado uma boa estreia para Bezerra nessa área, principalmente por conta dos jogos de cores entre as cenas e por não possuir diálogos falados – o filme é acompanhado por uma boa trilha sonora criada exclusivamente para ele, apenas com as músicas cantadas, estreladas por Carla e Amadeus. As músicas são um dos pontos altos do filme, com ligação direta com o enredo. A obra conta ainda com uma versão áudio-descrita, que permite que deficientes visuais acompanhem o desenrolar da história. Talvez, inclusive, seja um filme importante para um primeiro contato com áudio-descrição – especialmente para pessoas que não possuem problemas visuais.

A ausência de diálogos, em alguns momentos pontuais do filme, torna-se um problema para os atores, que atuam pela primeira vez nesse formato. Em alguns instantes há o excesso ou a falta de expressão no elenco, exceto pela atuação de Danielle Santana, que, mesmo com participação reduzida, sabe dosar exatamente as emoções. Lorena Blanes apresenta grande desenvoltura como cantora e dançarina, além da própria atuação com a linguagem para deficientes visuais, conhecida como libras. Entretanto, quando divide cenas que contém diálogos – ainda que mudos -, sua atuação perde um pouco brilho – as discussões com a mãe da personagem são os momentos críticos, mas não desmerecem o trabalho da atriz.

A pouca diferença de idade entre os intérpretes de Silvana e Amadeus também são um pequeno obstáculo para que o filme supere ainda mais as expectativas do público. Silvana parece ter concebido Amadeus muito cedo, lembrando muito as relações entre pais e filhos da novela jovem Malhação, da Rede Globo.

Mesmo com esses ligeiros problemas, Afônica resulta numa excelente opção de entretenimento envolvendo cultura jovem, musicais, cenários conhecidos dos soteropolitanos e jovens talentos, que merecem o reconhecimento pelo excepcional produto final. Para assistir ao filme, entretanto, o público terá que esperar um pouco mais. A versão apresentada na última sexta-feira na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia ainda passará por ajustes e não tem estreia agendada.

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