Nem tudo que cresce belo permanece…

Pôr-do-sol no dia 1º de maio de 2011, um dia chuvoso

Hoje foi o dia mais bonito em Moscow, Idaho, desde o dia 14 de março, quando o amanhecer na cidadezinha de 23 mil habitantes passou a ser visto pelos olhos de um brasileiro. Os quase 15º C (58º F) foi o suficiente para que algumas dezenas de estudantes fossem para as “quadras de areia” para jogar vôlei. Outros aproveitaram o sol para jogar frisbee nas grandes áreas verdes nas cercanias da universidade. Foi assim desde as primeiras horas do dia, quando os estudantes em plena death week – semana da morte – se divertiam fora das paredes dos quartos pela primeira vez desde o início do ano. “Hoje sem dúvidas é o dia mais bonito nesses quatro meses que estou aqui”, confessou uma das alunas do American Language and Culture Program. E foi. O sol repousou apenas às 20h – 8 p.m. nos padrões americanos.

Uma inusitada cena pode ser vista em diversos lugares da universidade. As pessoas, especialmente mulheres, deitadas ao chão aproveitando o sol para um ligeiro bronzeamento – nada que se compare às lajes das comunidades brasileiras. Uma garota parecia adormecida no pátio entre os prédios de quartos e os de sala de aula do Living Learning Communities – LLC. Enquanto se aquecia com os raios do astro-rei, ouvia tranquilamente músicas no iPod touch, repousado ao lado. E não passava pela cabeça da mesma abrir os olhos para verificar se alguém furtivamente remexia seus pertences. Era a tranquilidade do interior de Idaho.

Poucos momentos, já próximo ao meio-dia, uma das professoras alertava aos estudantes estrangeiros: “ontem ouvi que esse é a primavera mais fria dos últimos cem anos, desde quando começaram a registrar a temperatura aqui em Moscow”. Ela afirmava com grande veemência, visto que chegou a nevar diversas vezes em pleno abril e, em um dos últimos dias, a neve foi intermitente durante o decorrer do dia. Para brasileiros era quase como um dos polos. “Você não deve reclamar. No inverno cheguei a pegar temperaturas muito abaixo de 0ºC”, brincou a estudante que elogiou a beleza do dia, sul-americana até a alma. O frio de abril foi então substituído pelos raios do sol de maio, que chegou com grande rompante.

Na noite de segunda-feira, em meio a enxurrada de notícias sobre “o dia mais feliz dos últimos dez anos” como repetiam algumas emissoras de TV, a luz acabou. Foram alguns poucos segundos, seguidos por trovões e relâmpagos que assustariam desavisados. “Agora a chuva será forte”, pensaram os residentes. O medo de tornados passou bem rapidamente. O noroeste dos EUA está bem longe da zona de risco. E a chuva prometida, não veio.

Porém nesses dias chuvosos, a beleza do pôr-do-sol podia ser medida pelas cores do céu. E era um espetáculo da natureza ver os últimos raios se escondendo entre os morros. Porém, o dia de sol não foi do mesmo jeito. O adeus do astro-rei no dia mais bonito do ano foi cinzento. É uma prova que nem tudo que nasce e cresce belo, permanece belo até o fim…

A cinzenta despedida do sol no dia mais bonito do ano

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