Repercussão da “revolta popular” em Valença

As informações sobre as manifestações populares na cidade de Valença (BA) na tarde do último dia 24 chegam truncadas e a distância impede que haja uma apuração mais acurada sobre as motivações e também sobre os resultados práticos da movimentação. Para entender um pouco a lógica que mobilizou a população, foi sugerido por um grupo de valencianos o vídeo no YouTube postado pela “TV Guabim”, instituição que aparentemente é dirigida pelo “jornalista prático” Rodrigo Mário, responsável por publicações impressas e programas de rádio na cidade. O vídeo é longo, o limite para vídeos gratuitos postados no serviço do Google, 10 minutos, porém os cinco primeiros minutos podem exemplificar a situação de quinta:

Não seria permitido a um jornalista profissional criticar o modelo de “jornalismo popular” adotado no vídeo, uma autêntica forma de expressão da insípida impressa local, porém, mesmo com pouco cuidado com as técnicas de produção de notícias, é possível verificar que a caminhada pela paz, promovida por moradores do bairro conhecido como Mangue Seco tinha motivações justas do ponto de vista social. Populares, com cartazes em punho, citavam o exemplo do jovem Marildo Teles Nascimento, vítima de latrocínio, e pediam um basta para a violência na cidade de 88 mil habitantes. Ao fundo das entrevistas realizadas por Rodrigo Mário, percebe-se que uma parte da população não tinha ligações diretas com a manifestação, acompanhando ao longe com gritos – e risadas – a situação que começava a ficar complicada. Muito provavelmente essa parte da população tenha aproveitado o clima de instabilidade para efetuar os saques e depredar o patrimônio particular da família do governante local e prédios públicos.

Uma das entrevistadas, identificada como cunhada de Marildo Nascimento, aparece no começo e nos últimos 30 segundos do vídeo participa de uma conversa com o Prefeito Municipal, Ramiro Campelo, que aparece como vítima de falsas acusações de responsabilidade sobre a situação da segurança na cidade. Nas falas da mulher com o repórter e com o prefeito é possível verificar uma manifestação legítima de alguém que acompanhou de perto uma tragédia familiar. O prefeito, entretanto, peca ao afirmar que a responsabilidade pelo aumento da violência na cidade é responsabilidade do Governo do Estado, que agora não está associado por confluência política ao prefeito e ao partido do mesmo – de acordo com a fala do próprio Campelo. O prefeito cita ainda a aproximação em outra ocasião política entre ele e o ex-governador Paulo Souto, que possibilitava uma negociação mais adequada para a cidade. É o caminho natural de buscar culpados para uma situação que envolve diversas esferas e que afeta diretamente a população. Nesse caso, enquanto a população acusa a Prefeitura, esta busca transferir a responsabilidade para o Palácio de Ondina. Sem definições ou melhorias, não há alterações nos indicativos de violência e a população continua à mercê da criminalidade.

Realmente, o Poder Público Municipal não tem interferência direta sobre a contratação/ manutenção de autoridades policiais, porém é permitido que os responsáveis por ele busquem auxílio no governo estadual, frente aos números e aos índices alarmantes sob a ótica da população. Por mais que ainda existam currais eleitorais e caciques políticos, principalmente no Norte-Nordeste, é imaturo acreditar que o simples distanciamento entre representantes executivos e/ou partidos da base aliada e oposição poderia impedir que seja negociado aumento de efetivo policial e melhores condições de trabalho para médicos legistas – indiretamente uma das motivações iniciais da manifestação. Sob esse ponto de vista, o prefeito cometeu uma falta grave ao utilizar como justificativa a não aproximação com o Governador Jaques Wagner.

A manifestação popular aparentemente terá um novo capítulo na próxima terça (1º de março). Antes disso e por sugestão de um leitor, tentarei escrever sobre o impacto da presença de Valença no noticiário pode ter nas atividades desenvolvidas pela cidade.

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